quinta-feira, 21 de junho de 2012

Boca x La U: Sem ferrolho, pelo amor de Deus!



Isso sim é um ferrolho: a peça que integra uma fechadura
O tal do “ferrolho” está na moda. Contudo, graças ao bom Deus do futebol, hoje, no jogo entre Boca Juniors e Universidad de Chile, pela semifinal da Libertadores, teremos a oportunidade de descansarmos nossos olhos dessas retrancas chatas.

Logicamente, o Boca vai a Santiago para administrar o resultado (2 a 0 a seu favor em Buenos Aires), mas passa longe de se proteger em uma trincheira  insuportável, hoje tão na moda e batizada de “ferrolho” – que diga-se de passagem, ganha campeonatos.

Na terra do tango, La U dançou. O esquema extremamente ofensivo concatenado por Sampaoli não foi suficiente para calar La Bombonera e resfriar as possibilidades argentinas, mediante aos espaços aproveitados pelo copeiro Boca.

As variações entre 3-4-3 e 4-3-3 ditam a moderna forma de jogar dos chilenos, o mais próximo na América do Sul ao tão venerado modo Barcelona de atuar.

O 3-4-3 varia em 4-3-3 de acordo com a movimentação dos alas
Já o Boca, de Maradona, Palermo, Ibarra, Juan Martín Del Potro, entre outros que estiveram no estádio para endossar o coro de milhares de fanáticos xeneizes, permanece imutável no seu 4-3-1-2. Sanchez Miño foi a novidade na lateral esquerda, já que Clemente Rodriguez ficou de fora por contusão.

O imutável e letal esquema 4-3-1-2 que gira em torno de Riquelme
Para a noite de hoje, as expectativas deixam exultantes aos apreciadores de bom futebol. A ofensividade vai dar o tom da harmonia entoada pela U no jogo.

O trio de atacantes (Junior Fernandez, Martinez e Lorenzetti) deve infernizar os pesados beques Schiavi e Insaurralde. Mas, para quem tem Riquelme como árbitro auxiliar e bom distribuidor de bola, resta contar com a estrela de El tanque Santiago Silva.

domingo, 15 de abril de 2012

Preparador de goleiros da Seleção fecha com o Galo

Novo preparador atleticano estava no Grêmio


O Atlético-MG anunciou a contratação de Francisco Cersósimo, preparador de goleiros da Seleção Brasileira. Mais uma vez, Renan Ribeiro ganha um fio de esperança para melhorar seu desempenho.  Cersósimo teve rápida passagem de quatro meses pelo Galo, quando trabalhou com Danrlei. Conheça o estilo de trabalho do preparador na entrevista concedida ao site Futebol sem off, do jornalista Darci Filho, do Rio Grande do Sul, em março do ano passado.

Veja a entrevista no link abaixo:


                                    http://www.futebolsemoff.com.br/wordpress/?p=517


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Como parar o Bayern?



Aparando as pontas. Sim, isso mesmo! Neutralizar os jogadores que atuam nos extremos do ataque do Bayern é a melhor maneira de brecar a poderosa força alemã. O holandês Arjen Robben e o francês Frank Ribery são os responsáveis por municiar a máquina de gols chamada Mario Gomez. No entanto, quando esses homens são marcados individualmente, a história é bem diferente e sem gols para os bávaros.

O 4-2-3-1 é o esquema utilizado pelo Bayern - diga-se de passagem que essa configuração se tornou o "Instagram do futebol", todo mundo usa. Tudo começa pela muralha no gol: Neuer. Boateng, Badstuber, Alaba e o experiente Lahm formam a zaga. A cartela de opções defensivas do meio de campo garante tranquilidade e menos responsabilidade de marcação aos homens de frente. Para isso, o time conta com Schweinsteiger, Tymoschuk, Kroos e Luis Gustavo. Já para formar o trio de armação de jogadas, Muller, Ribery e Robben são as unanimidades. Mario Gomez, em grande fase, reveza a posição com Olic. Essa é a formação tradicional da equipe da Baviera, que tem como ponto fraco a dependência excessiva dos médios alas.

Ribery e Robben não encontraram a faclilidade costumeira para realizar cruzamentos para Mario Gomez, que pouco tocou na pelota
Foi exatamente essa a arma usada pelo Borussia Dortmund para vence-los e, praticamente, garantir o título alemão. Também armado em um 4-2-3-1, os atuais campeões germânicos utilizaram Schmelzer e Grosskreutz para abafar Robben, enquanto Piszchek e Kuba não deixaram Ribery jogar. Foi tiro e queda. Bastou um golzinho e muita garra para suportar a pressão e evitar o empate.

O Real Madrid vai encarar os alemães, pela UCL, no meio da semana que vem. Fica a dica para José Mourinho.

O melhor time da Libertadores


Em um grupo que conta com Universidade de Chile, campeão da Sul-Americana; Peñarol, vice-campeão da Libertadores, além dos argentinos do Godoy Cruz, quem dá as cartas é o Atlético Nacional de Medellín. O alviverde colombiano segue à risca a cartilha para se dar bem na competição continental: forte pegada e mal desempenho no campeonato nacional.

Ocupando a modesta 14° posição do Campeonato Colombiano, que conta com 18 agremiações, o Atlético Nacional parece preterir o torneio nacional para investir forte na Libertadores. Estratégia que, pelo menos até agora, deu muito certo. Na estreia, bateu La U em casa, por 2 a 0. Em seguida, goleou o Penãrol, no Uruguai, por 4 a 0. Apenas o Godoy Cruz conseguiu segurá-los, por dois empates, sendo um 4 a 4 e outro 2 a 2. A última partida do grupo, contra a Universidad de Chile, fora de casa, poderá garantir a primeira posição na classificação geral na competição.

No último jogo, contra o decadente e desclassificado Peñarol, o Atlético fez valer sua superioridade e desmoralizou os uruguaios, somando 7 a 0 no placar agregado. Se na partida em Montevidéu, a goleada por 4 a 0 parecia uma mera surpresa, a supremacia foi confirmada nos 3 a 0 aplicados ontem, em Medellín.
Neste 4-2-3-1 destaque para os volantes que tocam a bola rapidamente e municiam o ataque puxado por Mac Torres. Apesar da semelhança, esse modelo se distingue do utilizado pelo Boca Juniors, que usa os médios como alas 
 A organização tática, a velocidade, e o toque de bola rápido figuram como principais características dessa equipe. Atuando em um 4-3-1-2, bem diferente do utilizado pelo Boca Juniors, por exemplo, o destaque dessa configuração fica por conta da compactação dos três volantes, que não dão mais que três toques na bola. Macnelly Torres é o “1” desse esquema e não deixa a desejar, pelo contrário, faz a transição das jogadas entre os volantes e os dois atacantes velocistas. Por falar em ataque, eles possuem o melhor da Libertadores até agora, além do artilheiro do torneio, com seis gols: Dorlan Pabon.
Após as três substituições e a mudança para o 4-2-2-2 o time continuou ofensivo e organizado
A variação desse esquema é o 4-2-2-2, utilizado na estreia, contra La U. Para isso, o técnico Andres Arango sacrificou o volante Córdoba, desfazendo a trinca e lançando mão de Mosquera – meia ofensivo bastante veloz. Assim, mesmo já vencendo por 2 a 0, na segunda etapa, os colombianos mantiveram o toque de bola rápido e vertical.
Trunfo dos alviverdes foi Mac Torres que jogou enfiado entre as duas linhas de 4, do Peñarol
Com os gols de Murillo, Diego Alvarez e Pabon, o alviverde não encontrou dificuldades para superar o 4-4-2 ortodoxo do Peñarol, que conta em seu elenco com os ex-atleticanos Carini e João Pedro. Esse é o Atlético Nacional de Medellín. Portanto não considere surpresa alguma se um time colombiano for considerado favorito na fase de mata-mata.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A crise no gol do Galo está além de Renan Ribeiro


Foto: Marco Antônio Astoni/Globoesporte.com



Que Renan Ribeiro não oferece segurança ao torcedor atleticano, todos já sabem. No entanto, vale ressaltar que a posição de goleiro é definida pelo fator treinamento. Sendo assim, o treinador de goleiros é a figura responsável por formar profissionais de talento abaixo das metas. E nesse quesito, o Atlético viveu  fase de sucessivas trocas de comissões técnicas na década passada. O prejuízo disso é a ausência de um camisa 1 que dê alegrias a torcida alvinegra.

É de conhecimento geral que o técnico é o primeiro a pagar o pato quando os resultados positivos não acontecem. A partir da crise de arqueiros vivida pelo Galo, há de se questionar o fato da troca de pelo menos 10 profissionais dessa área, desde 2004.

O nome do último goleiro atleticano que garantia segurança ao torcedor foi Diego Alves, integrante da equipe campeã da Série B. Todavia, quem também merece ser lembrado é Aílton Serafim, preparador responsável por revelar Diego Alves e Bruno Fernandes – ex-namorado de Eliza Samudio.

Presente na base atleticana desde 2004, Serafim deixou o Clube em 2009 para se integrar a comissão técnica do Sport, de Recife. Após sua saída, o Galo contou com goleiros como Carini, Aranha, Edson, Juninho, Servulo. Ou seja, a crise estava instaurada abaixo das metas alvinegras.

Todo esse cenário caótico parecia ter se findado em 2010, quando surgiu Renan Ribeiro. Graças à parceria com o preparador Oscar Rodriguez, ex-Cruzeiro, o jovem arqueiro se destacou nas divisões de base da Seleção Brasileira e passou a ser um pedido latente da massa atleticana. Vale lembrar que o responsável por Renan Ribeiro na base foi o atual treinador de goleiros William de Castro. Porém, Oscar Rodriguez foi um dos principais causadores do bom desenvolvimento do atleta, tanto que Renan lamentou bastante sua transferência para o Santos, onde revelaria Rafael.

Barbirotto foi o substituto de Rodriguez, porém a sinergia do bom trabalho realizado anteriormente com Renan Ribeiro não foi a mesma. Consequência disso foi o pedido do arqueiro para que voltasse a trabalhar com William de Castro. Nesse período, o Atlético-MG até chegou a sondar o retorno de Oscar Rodriguez, mas a negociação não se concretizou.

Para agravar a situação alvinegra, Renan Ribeiro passou por um drama pessoal – perdeu a irmã vitimada pelo câncer, em 2011. A queda de rendimento foi gradativa e a paciência da torcida e da diretoria se esgotou no último clássico. Renan tomou 100 gols em 79 partidas, 19 para o maior rival.

Oposto a esse desagradável panorama vivido pelo Galo é o Cruzeiro. As excelentes atuações de Fábio refletem a regularidade e o maior tempo de trabalho que os preparadores de goleiro têm na Toca da Raposa. O preparador Robertinho atua desde 2010, quando substituiu Oscar Rodriguez. Anteriormente, Flavio Tênius postulava na comissão técnica e ele revelou Gomes e Jefferson, nos seus cerca de sete anos de passagens pelo cruzeiro, desde 1999. Atualmente, Rafael e Gabriel são as esperanças de renovação debaixo das traves celestes.

Está na boca do povo: “A base de um time campeão começa pelo gol”. Mais do que nunca está comprovada a necessidade de um bom profissional preparador de goleiros. Não é, Alexandre kallil?

Nomes de preparadores de goleiro que passaram pelos times mineiros

No Atlético-MG

Ailton Serafim *base 2004 a 2009
Jorge Azevedo 2005
Almir Domingues 2006 e 2007
Wanderley Filho 2007
Carlos Puppo 2008
Marcos Antônio Leme 2009
Eduardo Bahia 2009 e 2010
Oscar Rodriguez  2010
Barbirotto 2010 e 2011
William de Castro 08/2011 até hoje

No Cruzeiro:

Flávio Tenius - 1999 a 2004
Pedro Santilli – 2004
José Mário Prado - 2004
Rubens Ferreira Lima (Rubão) - 2004
Cassius Marcelo Hartman – 2005
Guilherme Gusmão – 2005
Flávio Tênius - 2006 a 2008
Oscar Rodriguez - 2008 a 2010
Robertinho 2010 até hoje

domingo, 8 de abril de 2012

Por que todo clássico é nervoso?


Você, como legítimo brasileiro, é um homem cordial e isto está em suas entranhas. O historiador Sérgio Buarque de Hollanda já caracterizava, em 1938, no seu livro Raízes do Brasil, nosso jeito de ser desde quando nos entendemos por brasileiros. Ser um homem cordial, na visão dele, significa ser movido pela emoção. E foi exatamente esse fator que decidiu o clássico Atlético e Cruzeiro, da primeira fase, do “badalado” Campeonato Mineiro de 2012.
O jogo trazia alta carga emotiva devido à goleada de 6 a 1, aplicada pelo Cruzeiro no clássico do ano passado, pela última rodada do Brasileirão. Isso fez com que o Galo começasse a partida a mil por hora. A Raposa não encontrou formas de deter o fulminante ataque alvinegro no primeiro tempo. Em seguida, a equipe celeste foi quem tomou as dores e se viu na obrigação de pressionar o rival na segunda etapa. Por fim, tudo igual, 2 a 2, mas a mania de reclamar da arbitragem e o fator emoção, mais uma vez, caracterizou o clássico mineiro. Porém, em vez de fazer uma incursão tática ao que todos já viram, que tal analisar o porquê de tanto chororô?

Para início de conversa, é necessário relembrar que a gênese da sociedade brasileira está diretamente ligada aos portugueses. Ao traçarmos um paralelo entre nossos colonizadores e os espanhóis, que colonizaram nossos vizinhos, percebemos porque carregamos a “preguiça” como rótulo. A forma racional de pensar os espaços faz do espanhol um povo racionalmente melhor organizado, desde os tempos de imperialismo avassalador das duas potências, enquanto os portugueses permeavam suas cidades com edificações irregulares, demonstrando sinais de falta de capricho.

Somos herdeiros desse comportamento “pelos cocos” dos lusitanos. Sergio Buarque de Hollanda, em Raízes do Brasil, apoiou-se no filósofo alemão Webber para traçar o perfil do brasileiro. Entre os produtos desse vasto estudo, foi constatado que somos cordiais, mas não no sentido de ser calmos. O termo refere-se a um tipo de pessoa que tem dificuldade de diferenciar o público do privado - vide o alto índice de corrupção em Brasília -, além de encontrar dificuldades para seguir as burocráticas relações frias estabelecidas com o Estado. Há também de acrescentarmos a isso uma pitada de “pimenta”, ou seja, emoção regendo a tomada de decisões. Exemplo disso é o excesso de diminutivos que usamos nas palavras para criar afinidade e dar aquele “jeitinho” de resolver um problema. No futebol podemos associar esse comportamento àquela tradicional conversa dos jogadores com o árbitro  durante todo o jogo, pedindo cartão ou reclamando, tendo em vista que, na maioria das vezes,  a decisão do juiz é irreversível.

Todo esse caldeirão de emoções, criados involuntariamente por características que fazem de nós legítimos brasileiros, é nitidamente percebida em jogos de alta tensão. A arbitragem entra pressionada e, por ser um duelo nervoso, a possibilidade de uma expulsão é percebida de imediato no início das partidas. E não fica restrito apenas ao apito, acompanharemos ainda a eterna provocação entre dirigentes que vai muito além de qualquer competição. Seja no Oiapoque ou Chuí, todo dérbi conta com aquilo que inconscientemente trazemos do berço: nervos à flor da pele.

Defeitos de personalidade à parte, lembremos que a emoção é o vento que move o moinho do futebol. Por que todo clássico é nervoso? Porque nossa personalidade reflete o que acontece lá dentro das quatro linhas.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Libertad...ores


Libertad...ores!

Com certo tempo disponível para tal, acompanhei a virada do Libertad para cima do Nacional, em casa, em partida pelo grupo 5 da Libertadores. O time pelo qual torce o mandachuva da Conmebol, Nicolas Leóz, se deu bem ao vencer, por 2 a 1, com um gol daqueles bem chorados ao apagar das luzes. O resultado classificou os paraguaios, eliminou o Nacional e, de tabela, deixou o Vasco com passagem garantida a próxima fase.

A entrada de Menendez no lugar de Civelle tornou a formação mais ofensiva, próxima de um 4-3-3

A insistência foi a marca do time alvinegro que fez prevalecer o fator mando de campo. Armado e um 4-4-2 repleto de variações, o time paraguaio comandado por Burrochaga foi a campo com: Muñoz; Bonet, Benegas,  Nesuti e Samudio; Aquino; Caceres, Santana e Civelli, Nuñes e Velásquez. Equipe aguerrida demonstrou que tem o principal ingrediente exigido pela competição: raça – muitas vezes confudida com pancada - e persistência.

Já o Nacional, que saiu na frente devido a uma bobeada do defensor adversário, estava escalado por Gallardo da seguinte forma: Borian; Nuñez, Scotti, Jadson Vieira e Rolin; Da Monte, Abero, Calzada e Vecino; Viudez e Sanchez. A pouca efetividade no ataque tirou dos uruguaios a possibilidade de vencer o confronto e seguir adiante na competição.

Destaque para Viudez, que é rápido e dá trabalho pela boa movimentação que atrai os volantes e deixa o meio aberto
No início do primeiro tempo, o Nacional imprimiu forte ritmo e, em uma bobeira da fraca zaga do Libertad, o oportunista Viudez anotou o primeiro tento do jogo. Na segunda etapa foram os paraguaios quem assumiram a postura de protagonistas e mandantes do jogo. Boa jogada de Bonet pela direita, ótima aparição de Velásquez para empurrar a bola cruzada para a pequena área. Ao fechar das cortinas, o veterano Recoba viu a bola ricochetear em suas canelas e sobrar no pé do volantão Cáceres, que só teve o trabalho de garantir que o barbante fosse sacudido e a torcida fosse ao delírio.

Estava jogada a pá de cal sobre qualquer sonho dos uruguaios, time de coração do Loco Abreu, na Libertadores. De quebra o Vasco ainda se garantiu nas oitavas de final. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Nada novo, de novo!


O Eterno Retorno em forma de equipe


"Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar (...)”. Esse trecho da Teoria do Eterno Retorno, do filósofo alemão Nietzsche, parece também se aplicar ao âmbito esportivo. Basta abrir o caderno de esportes do ano passado, desta mesma data em que estamos, e comparar com os jornais de hoje.

Tomemos como exemplo a Folha de São Paulo. A manchete “Lucas traz alívio para os são-paulinos” estampa o meio do caderno esportivo do dia 04 de abril de 2011. A notícia se refere à magra vitória do São Paulo, por 1 a 0 sobre o Mirassol, pelo Paulistão. O camisa sete tricolor fez um golaço, dando a vitória pelo placar mínimo a sua equipe. Retornando a atualidade, esse mesmo jogador foi autor de um belo gol, desta vez contra o Ituano, na vitória por 4 a 2, neste fim de semana.

O Eterno Retorno em pessoa
Neste mesmo periódico de 2011, basta folear mais duas páginas para que outra semelhança venha à tona. “Djokovic dá sequência a ano perfeito” é o título da matéria que anuncia a conquista de Miami, ao vencer Nadal, no ano passado. Para confirmar o que parece ser rotina, o sérvio venceu novamente o torneio em 2012. Desta feita, derrubou o britânico Andy Murray, pois Nadal sucumbiu às dores musculares e se ausentou a partir das fases finais.

No maior torneio interclubes do mundo a história é a mesma. Em abril do ano passado, o Barcelona venceu o Shakthar Donetsk, com mais recordes batidos por Lionel Messi, e avançou às semifinais da competição. Ontem, os blaugranas confirmaram sua supremacia novamente ao bater o Milan e chegarem a mais uma semifinal de UCL. Ainda na Europa, uma rápida passada pelas tabelas dos campeonatos nacionais exibiam Milan, Manchester e Borussia como líderes no fim do primeiro trimestre de 2011. E para variar, essas mesmas equipes estão na ponta da tabela em 2012 neste mesmo período.

Para reforçar a sensação de déjà vu, também podemos notar que Atlético e Cruzeiro, em Minas, seguem para decidir mais uma vez o Estadual, assim como no ano passado. Mas essa é uma máxima previsível já que dispõem de melhores condições financeiras e estruturais.

Parece que o velho Nietzsche ao tecer suas sábias palavras lá no século XIX já adiantava o que estamos presenciando hoje. A teoria do alemão propõe que se a realidade tivesse um objetivo, já a teria alcançado. As emoções e os eventos como guerras, tragédias e epidemias tendem a se repetir de forma cíclica, repaginadas de acordo com o contexto histórico.  Complexidades e gracejos filosóficos à parte, pelo menos percebemos que no esporte isso faz sentido. Talvez você já tenha lido esse texto, não?
Friedrich  Nietzsche: autor da teoria do Eterno Retorno


quinta-feira, 1 de março de 2012

Futebol e crise: caos econômico atinge o futebol pelo mundo

A economia brasileira vai bem! Obrigado. Por isso, estamos vivendo momento de repatriar jogadores caros que atuam na Europa. As cotas de transmissão dos jogos aumentaram consideravelmente. Além disso, o país se prepara para receber a Copa do Mundo.  Entretanto, imagine o que está passando a Grécia agora. Esse país vive uma intensa convulsão econômica causada por vasta herança de más administrações estatais. E o futebol? Como fica nessa lamentável história. Na América do Sul, encontramos exemplos recentes como o do Peru e da Argentina para exibirmos esse panorama alarmante.


Presente de Grego

Onda de protestos crescem na Grécia
Berço da civilização ocidental, a Grécia recebeu um presente de grego dos seus administradores de Estado. A dívida grega ,de cerca de 300 bilhões de euros, é fruto de vultosas quantias desembolsadas com gastos públicos. Não há segredo: quem gasta mais do que arrecada, endivida-se. Recentemente, pacotes de resgate são negociados pelos demais países da zona do Euro que, em contrapartida, exigem medidas rígidas para que o país regularize seus gastos internos. Resultado: o povo paga por isso. A idade para se aposentar foi estendida, o salário mínimo reduzido e os  impostos aumentados. Está formado o caos grego.

Esse panorama atinge o futebol diretamente. A crise causou as primeiras consequências contundentes no esporte grego. Na última segunda-feira, a federação local anunciou o cancelamento da segunda e da terceira divisão do campeonato nacional de futebol. Inviabilizados pela falta de recursos para investir nas divisões de acesso. Isso causa a debandada de vários atletas, como aconteceu com os volantes Dudu Cearense (Atlético-MG) e Gilberto Silva (Grêmio), além do lateral Gabriel (Grêmio). Se não bastasse o problema econômico, a manipulação de resultados fez com que times fossem rebaixados e dirigentes presos, no ano passado. A insegurança e a tensão são alarmantes naquele país.

Apesar do mau momento financeiro, clubes grandes conseguiram figurar nos principais torneios europeus. O PAOK chegou à fase eliminatória da Europa League, mas foi eliminado pela Udinese, em casa, perdendo por 3 a 0. Já o Olympiakos avançou as oitavas-de-final dessa mesma competição ao passar pelo Rubin Kazan, da Rússia. A equipe, atual campeã grega, também disputou a fase de grupo da Liga dos Campeões.

Peru no buraco

Apesar de infame, o trocadilho descreve perfeitamente a situação do futebol peruano. Na última Copa Sul-Americana, o caso mais comentado por aqui foi o do Universitário. Os atletas ameaçaram não entrar em campo contra o Vasco, em novembro do ano passado. No entanto, o time entrou no relvado e deu trabalho para a equipe carioca. Os peruanos chegaram a vencer em casa por 2 a 0, o que exigiu muito suor do Gigante da Colina para aplicar uma sofrida goleada de 5 a 2, em São Januário. Mas, de lá para cá, a situação se agravou bastante . Exemplo disso é o Universidad San Martin, três vezes campeão nacional, que não resistiu e fechou o departamento de futebol profissional devido a atrasos salariais.

Último time do Universidad San Martin , que desistiu do futebol


Mesmo com o crescimento de 5,96% do PIB nacional do Peru,  em 2011, alavancado pelo mercado interno e a demanda internacional, os clubes de futebol peruanos convivem há anos com uma rotina de atrasos salariais a jogadores e funcionários das equipes acobertados por dirigentes. A insatisfação dos atletas é refletida por meio de greves. Para se ter uma ideia da profundidade da crise, a Associação de Futebol profissional (AFDP) regularizou uma série de medidas que previam que os vencimentos em débito fossem regularizados em 24 meses. Fato esse que causou insatisfação geral no Sindicato dos Jogadores, que rechaçou imediatamente essa ação, exigindo cumprimento dos compromissos em até 12 meses.

Em consequência desse impasse, o Campeonato Peruano está parado. Equipes mandaram os elencos das categorias de base na primeira rodada e muitas outras optaram por não entrar em campo, perdendo por WO.

O panelaço e os tempos de crise dos Hermanos

Situação semelhante já viveram os argentinos. Em 2001, a crise tomou conta do país, que resultou em rodízio de cinco presidentes em um período de apenas 12 dias, além de inúmeras mortes decorrentes de protestos. Vítima de efeito cascata negativo de fenômenos econômicos na década de 1990, a Argentina deu o maior calote de todos os tempos. Foram cerca de 82 bilhões de dólares. A crise chegou aos clubes que se endividaram e também deixou jogadores com salários atrasados. Um reflexo torto de toda essa conjuntura cataclísmica da época é a Seleção Argentina da Copa de 2002, que foi eliminada ainda na primeira fase da competição.

Batistuta desolado após eliminação precoce na Copa de 2002
Recentemente os clubes argentinos se endividaram e dependeram de intervenção do governo para atenuar os déficits. Isso ocorreu devido ao fato de os times de lá dependerem da venda de jogadores para a Europa, que está em momento de baixa financeira. Salvo equipes como Lanús, Godoy Cruz, Estudiantes de La Plata e Vélez Sarsfield, todas as demais passam por momento complicado no caixa. O River Plate foi o principal personagem desse caos, que resultou em seu rebaixamento no ano passado.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Independência ou morte: história x esperança



A frase que intitula esse post é apropriada para descrever o momento vivido pelo Atlético-MG na tentativa de obter lucro na utilização do estádio Raimundo Sampaio – Independência. Em um insight de esperteza, o presidente Alexandre Kalil firmou polêmico acordo com a BWA, vencedora da licitação para administrar o estádio por 10 anos após passar por reforma completa. Muitas são as incertezas: o América é o proprietário, mas vê aspectos de ilegalidade no acordo e vai recorrer. Já o Cruzeiro, está mais perdido que cego em tiroteio e aguarda o desfecho dos trâmites legais para se posicionar. Entretanto, o que o torcedor atleticano pode esperar disso tudo? Refresquemos então a memória dos nostálgicos adeptos alvinegros que tem motivos para festejar em jogar no campo do Horto, pelo menos estatisticamente.

O Galo já jogou 455 vezes no Independência. Lá foram 261 triunfos, 92 empates e 102 derrotas. Em especial, jogando no Horto, sempre levou a melhor em cima dos seus dois rivais da capital: venceu o América 31 vezes e perdeu 21. Contra a Raposa, 29 vitórias e 19 derrotas. Sendo assim, o torcedor tem um alento numérico para crer que o novo estádio tem alegrias a oferecer.

Após receber uma reforma geral, iniciada em janeiro de 2010, com gastos que beiram os R$103 milhões, o gigante do Horto dará, agora, início a uma nova história.  Vale lembrar que a narrativa da vida do estádio teve como ápice o lendário jogo da Copa de 1950, em que a Inglaterra foi desbancada pelos E.U.A em uma das zebras mais notáveis de todos os tempos.

Assim, repleta de polêmicas e com acirrado jogo de interesse entre os clubes da capital, é retomada a história do Independência, que toma conta dos noticiários esportivos. No momento, o maior desejo do torcedor alvinegro é não ter que se preocupar em arranjar carona para viajar até Sete Lagoas, o que representaria um alívio para o corpo e bolso de quem gosta de acompanhar os jogos das arquibancadas.

Por falar em alívio e alegrias ao torcedor, o último time do Galo que proporcionou isso à massa foi a equipe de 1999. Nesse ano, o Independência trouxe ótimas lembranças aos atleticanos. O elenco vice-campeão brasileiro atuou por lá até a 12° rodada. No total, 11 gols marcados e apenas cinco sofridos. Foram três vitórias, um empate e uma derrota no fatídico jogo contra o Vitória que gerou pancadaria entre jogadores. O Galo perdeu por 2 a 1, o clima ficou muito tenso e a fúria foi transportada para as arquibancadas, onde a polícia agiu de forma dura. Resultado: Independência interditado para o resto da competição. Em decorrência desse lamentável episódio, o Atlético seguiu firme no Mineirão até perder o título para o Corinthians.





Em se tratando de Campeonato Brasileiro, o Galo está devendo e muito à sua apaixonada torcida. Coincidentemente, nas últimas duas edições do Brasileirão, o Galo venceu 13 vezes. Ou seja, um número irrisório para um clube que almeja manter seu status de “grande”.


Equipe de 1999 que deixa saudades no coração do torcedor alvinegro

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cruzeiro mais argentino do que nunca



Tango argentino daqueles dançados à beira do Rio da Prata. Essa seria a trilha perfeita para sonorizar os melhores momentos do Cruzeiro em 2012. Não só porque o hermano Montillo é o melhor jogador da equipe, mas também pelo esquema tático adotado. Os três volantes escalados por Vágner Mancini no time celeste confirmam a tendência que domina o futebol no país vizinho.

O ano de 2012 começou repleto de incertezas para a Raposa. O momento turbulento no início de temporada se refletiu nos jogos contra América, Mamoré e Guarani-MG. Mancini ainda procura o time ideal, mas já deu mostras de que não abrirá mão dos três volantes. O 4-3-1-2 cruzeirense está assim: Fábio; Marcos, Léo, Victorino e Diego Renan; Marcelo Oliveira, Leandro Guerreiro e Roger (não é volante, mas recua para buscar jogo); Montillo; Anselmo Ramon e Wellington Paulista.

4-3-1-2 cruzeirense depende da movimentação de Roger


Agora batemos à porta de nossos vizinhos: os argentinos. O 4-3-1-2 virou moda por lá. O Boca Juniors, principal equipe argentina atualmente, entra em campo na maioria dos jogos com: Orion; Roncaglia, Schiavi, Insauralde e F.Sosa; Somoza, Erviti e Rivero; Riquelme; Cvitanich e Mouche. Dessa forma, eles venceram o Apertura, com inclusão do lateral  esquerdo Clemente Rodrigues – que está machucado. E não são apenas os xeneizes que jogam assim. Belgrano, Estudiantes, Vélez, Racing também são adeptos dos três volantes.

Boca Juniors dos último jogo pela Libertadores 2012


Tal utilização desse estilo de jogo faz com que volantes se destaquem. Basta pensar um pouco para encontrar bons atletas argentinos nessa posição: Guiñazu, Bolatti, Gago, Banega, Cambiasso, Mascherano... Isso acontece porque o esquema exige que esses jogadores saibam armar com qualidade. Outro fator determinante é o uso do enganche, homem que joga a frente da linha de volantes. Nesse quesito são especialistas: Riquelme, D’Alessandro, Conca, Montillo, Pastore (que também joga pelos extremos).

O Cruzeiro vai se mostrando mais argentino do que nunca. Entretanto, todo esse esquema depende da atuação de Roger junto ao camisa 10 azul. Quando sobe para se aproximar dos avançados, a Raposa retorna ao tradicional 4-2-2-2, abrindo Wellington Paulista e Anselmo Ramon para as infiltrações de Montillo pelo meio, como aconteceu nos dois gols da última partida contra o Democrata, pela quarta rodada do Estadual. É notável, principalmente pelas atuações contra Tupi e Nacional de Nova Serrana que Roger deu qualidade a armação e aliviou Montillo na criação das jogadas, porém deixou brechas e sobrecarregou Leandro Guerreiro na cobertura.

No Brasil, o Santos incorpora o mesmo sistema, com o característico losango à la Muricy Ramalho. No entanto, o Peixe possui uma faceta decisiva: Neymar é um monstro e se movimenta por toda a intermediária ofensiva. Enquanto isso, aqui em BH, o que vai definir o sucesso do 4-3-1-2 cruzeirense é a qualidade dos volantes. Rudnei, Amaral, Éverton e Diego Arias são as opções que Mancini tem no banco. Resta saber se o técnico cruzeirense terá tempo de bailar alegremente ao som do tango ou se vai ouvir o temido hit da dança das cadeiras dos técnicos brasileiros.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Conexão Europa Divinópolis


Divinópolis é polo da moda em Minas. A cidade do centro-oeste do estado possui forte indústria confeccionista, muito procurada pelos varejistas e atacadistas do setor. Mas quando é esse o assunto, a Europa é quem tem o centro das atenções. Milão, Londres e Paris são as capitais do mundo fashion. Porém, o papo aqui não é esse. A conexão Europa Divinópolis aqui é outra; e diz respeito ao futebol.

O modesto Guarani importou um modelo de jogo oriundo do Velho Continente no duelo contra o Galo, pela quarta rodada do Campeonato Mineiro. O tão difundido 4-2-3-1 toma conta dos esquemas táticos na Europa e aqui, no país tupiniquim, também é realidade em muitas equipes. No entanto, para o Bugre, o estilo vindo do exterior não funcionou e o alvinegro massacrou o acanhado time do interior, metendo um impiedoso 4 a 0.

Segundo o livro Inverting the pyramid, do inglês Jonathan Wilson, o 4-2-3-1 surgiu entre as Eurocopas de 1996 e 2000. Todavia, há registros de que o Manchester United utilizava inconscientemente tal esquema em 1993, quando Paul Ince e Roy Keane eram os volantes; com Giggs e Kancheslskis adiantados pelos lados, e Eric Cantona recuando por trás de Mark Hughes. Em suma, tudo começou porque o segundo atacante voltava para puxar a marcação de um zagueiro.

De lá da Terra da Rainha pegamos um voo para a nossa Minas Gerais, agora em 2012. O Guarani entrou em campo com: Thiago Régis; Luizinho, Márcio Santos, Bruno Maia e Tita; André e Léo Medeiros; Magalhães, Walter Minhoca e Ely Thadeu; Marinho. Esse foi o 4-2-3-1 bugrino. Apesar de ousada e aguda, a equipe não tem talento para começar as jogadas. E esse modelo exige que os volantes saibam municiar o trio de meias que ficam em constante movimentação para buscar jogo. No entanto, o que se viu foi um meio desorganizado, estático e insistente nas jogadas pelo lado esquerdo, desperdiçando as subidas de Luizinho na direita.

4-2-3-1 bugrino ineficiente contra o Atlético-MG


O Galo utilizou esquema semelhante com uma variável importante no ataque. O 4-2-2-2 virava 4-2-3-1 quando Berola – que entrou no lugar de Danilinho – voltava para buscar jogo e atuar mais próximo de Marcos Rocha. O alvinegro atuou assim: R. Ribeiro; Marcos Rocha, R. Marques, Réver e Richarlyson; L. Donizete e Pierre; Escudero e Mancini; (Danilinho) Berola e André. E quem vai para casa feliz, além do sempre eufórico torcedor atleticano, é Mancini, que, junto com André, foi o melhor em campo e anotou um golaço de falta.
O Galo variava o 4-2-2-2 com 4-2-3-1 de acordo com Neto Berola


Enquanto o 4-2-3-1 se torna o feijão com arroz do futebol nacional, a Seleção Brasileira perde posições no ranking da FIFA. Por outro lado, o Corinthians se consagra campeão brasileiro com esse modelo. Assim, uma nova tendência vem à tona. Há a necessidade de dois volantes? O Barcelona, que varia o 4-3-3 e o 3-4-3, proveniente da escola de El loco Bielsa, deveria ser o exemplo a ser seguido? Parece que essas são perguntas que o tempo irá responder... Enquanto isso em Divinópolis, que completa 100 anos em 2012, André fez três gols, pediu música e o Galo bicou o Bugre.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Você também quer uma medalha?


Perambulando incessantemente pelos sites de esporte – hábito adquirido após trabalhar em assessoria de imprensa de atletas de futebol – vi uma coisa curiosa que me levou a refletir. “Riquelme é nomeado cidadão ilustre de cidade venezuelana: 'Sinto-me agradecido'”. Logo me vem a cabeça: o jogador argentino pelo menos conhece a cidade? O cara só foi lá para jogar bola, ganhando seu polpudo salário para isso. E quem trabalha nas ruas da cidade limpando a sujeira da população, e os professores, e os médicos? Arrisco a dizer que ele está pouco se lixando para aquele lugar.


A partir desse caso, lembrei que nosso polêmico e endinheirado craque em decadência Ronaldinho Gaúcho já foi homenageado algumas vezes também. Meia habilidoso e rodado na Europa, assim como Roman Riquelme, o brasileiro recebeu, no dia 20 de janeiro deste ano, a medalha de honra ao mérito, em Sucre, na Bolívia, das mãos do presidente Evo Morales. Claro que o jogador é bem-sucedido e ainda influencia uma vasta multidão nos países em que passa. Mas acho banalizar a premiação ao entrega-la ao rapaz.


foto: Marcos Samersom
Pasmem! Voltando um pouco no tempo vi que Gaúcho recebeu uma honraria máxima na Academia Brasileira de Letras. Ao ser questionado sobre qual seu livro e autor preferido ele disse: “Não tenho”.  Ele ainda completou, “Vou aproveitar a visita para pedir umas dicas de livro para os acadêmicos”. Isso aconteceu em abril do ano passado, na celebração dos 110 do nascimento de José Lins do Rego.  Na ocasião o jogador recebeu a medalha Machado de Assis.

É indiscutível que a carreira desses atletas foi construída com muito talento e trabalho no esporte. Também fica nítido que são merecedores de reconhecimento no mundo esportivo e até fora dele. Mas, espere aí, neh! Desafio você a encontrar pelo menos três heróis por dia em seu convívio social. Pessoas dignas de receber uma medalha pela vida que levam. Acredito que você não terá dificuldades. Professores entram em greve cobrando melhores condições de trabalho. A educação do país é uma bola fora do governo brasileiro desde os primórdios. Infelizmente, é cultural considerar os educadores uma parte qualquer do proletariado.

Aí você liga sua televisão e vê jogadores que estão em decadência e que nem são mais exemplos para a juventude receberem honrarias. Ronaldinho Gaúcho seria um bom exemplo para seu filho? Nem aqui  e nem em Sucre! Ele não tem obrigação de sê-lo, mas a partir do momento que nossos intelectuais e chefes de Estado os alçam a um patamar elevado, eles ficam com esse dever. 

Prefiro ler as manchetes: “Ronaldinho Gaúcho falta treino e é visto em show de pagode” ou “Riquelme diz que treinador o fez correr como idiota”. Essas são condizentes com o verdadeiro moral desses atletas que foram alçados a um patamar além do que são pelo fato de estarem em um mercado que movimenta cerca de 2% do PIB nacional. Parece que a mania de idolatria exagerada é intrínseca e necessária ao ser humano.

Meia Boca e La U...ltrapassada


Meia Boca

É bem verdade que ainda é muito cedo para julgar qualquer time na Copa Libertadores. Equipes grandes como Vasco e Fluminense já haviam jogado semana passada e não convenceram. Nesta terça-feira foi a vez do gigante Boca Juniors, o qual a camisa joga sozinha. Também estreou La U que, apesar de não possuir uma vasta gama de títulos internacionais, é o atual campeão da Copa Sul- Americana. No entanto, a estreia dos dois foi decepcionante.

Facundo Sebastian/EFE
Pelo grupo 4, Boca Juniors foi a Venezuela encarar o modesto Zamora. Dar a vitória como certa não seria nenhum ato de arrogância, pois a equipe venezuelana não apresenta perigo nenhum ao adversário devido ao baixo nível técnico e tático. O Boca entrou em campo no seu 4-3-1-2 que virou moda entre os argentinos e que levou à conquista do Apertura.  A escalação: Orion (nada acionado); Sosa (pouco ofensivo), Schiavi e Insauralde, Roncaglia (pouco ofensivo também); Somoza, Erviti e Rivero; (o trio de volantes não conseguiu colocar a bola no pé do enganche Riquelme); Cvitanich e Santiago Silva (El tanque estreou, mas não conseguiu nada).

Clemente Rodriguez, lateral esquerdo titular dos argentinos, sentiu um problema físico horas antes da partida e causou alterações no setor defensivo. Roncaglia e Sosa não mostraram nenhuma eficácia ao apoiar o ataque. Erviti, Somoza e Rivero não conseguiram dar o devido suporte a Riquelme para armar as chances de gol. Com isso, os dois avançados pouco pegaram na bola. Na segunda etapa, Ledesma e Chavez entraram no lugar de Erviti e Rivero, respectivamente. A dupla de meias ofensivos também não conseguiu municiar o ataque do Boca. Além dessas mudanças, Cvitanich deu lugar a Mouche, mas de nada adiantou.

Os goleiros pouco trabalharam, passes errados, falta de mobilidade dos meias, a falta de apoio dos laterais do Boca contribuíram para que, ao soar o apito final, o jogo permanecesse 0 a 0. Bom para o Fluminense que também não fez uma boa estreia, mas conseguiu jogar nos primeiros cinco minutos de partida e fazer um gol que garantisse os três pontos e a liderança provisória do grupo.


La U...ltrapassada

Já madrugada aqui no Brasil foi a vez da Universidad do Chile estrear na competição continental. Quem viu a Copa Sul-Americana carregava expectativas elevadas sobre atuação dos chilenos. No entanto, quem surpreendeu foi Atlético Nacional. Equipe com ótimo potencial físico e bastante aguda nas investidas ofensivas.

La U foi armada no seu tradicional 3-4-3 extremamente ofensivo, mas que deixa amplos espaços principalmente nas laterais. A equipe chilena joga de forma diferente dos demais times sul-americanos. Destaque para a compactação, a distância entre os jogadores em campo é bem curta.  Universidad entrou em campo com Herrera (fez boas defesas); Rojas, Acevedo e González; Mena, Diaz, Aranguiz e Moralez; Lorenzetti, Fernandez e Castro.

Pelo lado alviverde, um 4-2-2-2 bem armado. Pezzuti; Valência (fez um golaço e uma ótima partida até se machucar no fim da primeira etapa), Tulla, Murillo e Calle; Valoy e Córdoba; Macnely Torres (ótima atuação) e Mosquera; Pabón e Alvarez. Essa foi a equipe que arrematava a gol sempre que possível. As descidas agudas dos colombianos eram armadas por Macnelly Torres, que conseguiu servir bem o atacante Pabón.

O jogo foi equilibrado, mas a ineficiência do meio campo chileno deu chances para que o Nacional contragolpeasse com extremo perigo. No primeiro tempo, uma bola espirrada em uma cobrança de escanteio sobrou para o chute de primeira do lateral Valencia, golaço. No fim da segunda etapa, em um contra-ataque mortal depois do passe milimétrico de Macnelly Torres, Pabón fechou a conta e anotou o tento que sacramentou a vitória. Fim de papo é 2 a 0.

La U demonstra sinais de que precisa se renovar, pois não conta mais com sua principal arma: Vargas, que foi para a Napoli. Por outro lado, surge uma equipe 


Macnelly Torres liderou a vitória dos colombianos