A
economia brasileira vai bem! Obrigado. Por isso, estamos vivendo momento de
repatriar jogadores caros que atuam na Europa. As cotas de transmissão dos
jogos aumentaram consideravelmente. Além disso, o país se prepara para receber
a Copa do Mundo. Entretanto, imagine o
que está passando a Grécia agora. Esse país vive uma intensa convulsão econômica
causada por vasta herança de más administrações estatais. E o futebol? Como fica
nessa lamentável história. Na América do Sul, encontramos exemplos recentes como
o do Peru e da Argentina para exibirmos esse panorama
alarmante.
Presente de Grego
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| Onda de protestos crescem na Grécia |
Berço
da civilização ocidental, a Grécia recebeu um presente de grego dos seus
administradores de Estado. A dívida grega ,de cerca de 300 bilhões de euros, é fruto de vultosas quantias desembolsadas com
gastos públicos. Não há segredo: quem gasta mais do que arrecada, endivida-se.
Recentemente, pacotes de resgate são negociados pelos demais países da zona do
Euro que, em contrapartida, exigem medidas rígidas para que o país regularize
seus gastos internos. Resultado: o povo paga por isso. A idade para se aposentar foi estendida, o salário mínimo reduzido e os impostos aumentados. Está formado o caos grego.
Esse
panorama atinge o futebol diretamente. A crise causou
as primeiras consequências contundentes no esporte grego. Na última
segunda-feira, a federação local anunciou o cancelamento da segunda e da
terceira divisão do campeonato nacional de futebol. Inviabilizados pela
falta de recursos para investir nas divisões de acesso. Isso causa a debandada
de vários atletas, como aconteceu com os volantes Dudu Cearense (Atlético-MG) e Gilberto
Silva (Grêmio), além do lateral Gabriel (Grêmio). Se não bastasse o problema
econômico, a manipulação de resultados fez com que times fossem rebaixados e
dirigentes presos, no ano passado. A insegurança e a tensão são alarmantes
naquele país.
Apesar do mau momento financeiro, clubes grandes conseguiram
figurar nos principais torneios europeus. O PAOK chegou à fase eliminatória da Europa
League, mas foi eliminado pela Udinese, em casa, perdendo por 3 a 0. Já o
Olympiakos avançou as oitavas-de-final dessa mesma competição ao passar pelo Rubin
Kazan, da Rússia. A equipe, atual campeã grega, também disputou a fase de grupo
da Liga dos Campeões.
Peru no buraco
Apesar de infame, o trocadilho descreve perfeitamente a
situação do futebol peruano. Na última Copa Sul-Americana, o caso mais comentado por aqui foi o do Universitário. Os atletas ameaçaram não entrar em campo contra o Vasco, em novembro do ano passado. No
entanto, o time entrou no relvado e deu trabalho para a equipe carioca. Os
peruanos chegaram a vencer em casa por 2 a 0, o que exigiu muito suor do
Gigante da Colina para aplicar uma sofrida goleada de 5 a 2, em São Januário.
Mas, de lá para cá, a situação se agravou bastante . Exemplo disso é o Universidad San Martin,
três vezes campeão nacional, que não resistiu e fechou o departamento de futebol
profissional devido a atrasos salariais.
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| Último time do Universidad San Martin , que desistiu do futebol |
Mesmo com o crescimento de 5,96% do PIB nacional do Peru, em 2011, alavancado pelo mercado interno e a demanda internacional, os clubes de futebol peruanos convivem há anos com uma rotina de atrasos salariais a jogadores e funcionários das equipes acobertados por dirigentes.
A insatisfação dos atletas é refletida por meio de greves. Para se ter uma
ideia da profundidade da crise, a Associação de Futebol profissional (AFDP) regularizou
uma série de medidas que previam que os vencimentos em débito fossem
regularizados em 24 meses. Fato esse que causou insatisfação geral no Sindicato
dos Jogadores, que rechaçou imediatamente essa ação, exigindo cumprimento dos
compromissos em até 12 meses.
Em consequência desse impasse, o Campeonato Peruano está
parado. Equipes mandaram os elencos das categorias de base na primeira rodada e muitas
outras optaram por não entrar em campo, perdendo por WO.
O panelaço e os tempos
de crise dos Hermanos
Situação semelhante já viveram os argentinos. Em 2001, a
crise tomou conta do país, que resultou em rodízio de cinco presidentes em
um período de apenas 12 dias, além de inúmeras mortes decorrentes de protestos.
Vítima de efeito cascata negativo de fenômenos econômicos na década de 1990, a Argentina deu o maior
calote de todos os tempos. Foram cerca de 82 bilhões de dólares. A crise chegou
aos clubes que se endividaram e também deixou jogadores com salários
atrasados. Um reflexo torto de toda essa conjuntura cataclísmica da época é a
Seleção Argentina da Copa de 2002, que foi eliminada ainda na primeira fase da competição.
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| Batistuta desolado após eliminação precoce na Copa de 2002 |
Recentemente os clubes argentinos se endividaram e dependeram
de intervenção do governo para atenuar os déficits. Isso ocorreu devido ao fato
de os times de lá dependerem da venda de jogadores para a Europa, que está em
momento de baixa financeira. Salvo equipes como Lanús, Godoy Cruz, Estudiantes
de La Plata e Vélez Sarsfield, todas as demais passam por momento
complicado no caixa. O River Plate foi o principal personagem desse caos, que resultou
em seu rebaixamento no ano passado.



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