quarta-feira, 4 de abril de 2012

Nada novo, de novo!


O Eterno Retorno em forma de equipe


"Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar (...)”. Esse trecho da Teoria do Eterno Retorno, do filósofo alemão Nietzsche, parece também se aplicar ao âmbito esportivo. Basta abrir o caderno de esportes do ano passado, desta mesma data em que estamos, e comparar com os jornais de hoje.

Tomemos como exemplo a Folha de São Paulo. A manchete “Lucas traz alívio para os são-paulinos” estampa o meio do caderno esportivo do dia 04 de abril de 2011. A notícia se refere à magra vitória do São Paulo, por 1 a 0 sobre o Mirassol, pelo Paulistão. O camisa sete tricolor fez um golaço, dando a vitória pelo placar mínimo a sua equipe. Retornando a atualidade, esse mesmo jogador foi autor de um belo gol, desta vez contra o Ituano, na vitória por 4 a 2, neste fim de semana.

O Eterno Retorno em pessoa
Neste mesmo periódico de 2011, basta folear mais duas páginas para que outra semelhança venha à tona. “Djokovic dá sequência a ano perfeito” é o título da matéria que anuncia a conquista de Miami, ao vencer Nadal, no ano passado. Para confirmar o que parece ser rotina, o sérvio venceu novamente o torneio em 2012. Desta feita, derrubou o britânico Andy Murray, pois Nadal sucumbiu às dores musculares e se ausentou a partir das fases finais.

No maior torneio interclubes do mundo a história é a mesma. Em abril do ano passado, o Barcelona venceu o Shakthar Donetsk, com mais recordes batidos por Lionel Messi, e avançou às semifinais da competição. Ontem, os blaugranas confirmaram sua supremacia novamente ao bater o Milan e chegarem a mais uma semifinal de UCL. Ainda na Europa, uma rápida passada pelas tabelas dos campeonatos nacionais exibiam Milan, Manchester e Borussia como líderes no fim do primeiro trimestre de 2011. E para variar, essas mesmas equipes estão na ponta da tabela em 2012 neste mesmo período.

Para reforçar a sensação de déjà vu, também podemos notar que Atlético e Cruzeiro, em Minas, seguem para decidir mais uma vez o Estadual, assim como no ano passado. Mas essa é uma máxima previsível já que dispõem de melhores condições financeiras e estruturais.

Parece que o velho Nietzsche ao tecer suas sábias palavras lá no século XIX já adiantava o que estamos presenciando hoje. A teoria do alemão propõe que se a realidade tivesse um objetivo, já a teria alcançado. As emoções e os eventos como guerras, tragédias e epidemias tendem a se repetir de forma cíclica, repaginadas de acordo com o contexto histórico.  Complexidades e gracejos filosóficos à parte, pelo menos percebemos que no esporte isso faz sentido. Talvez você já tenha lido esse texto, não?
Friedrich  Nietzsche: autor da teoria do Eterno Retorno


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