terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cruzeiro: Montillo e o resto?


Já enche o saco, há bastante tempo, a novela chatinha e que causa cansaço só de ouvir falar: Montillo no Corinthians. Ano passado foi “Ronaldinho no Flamengo, Ronaldinho no Grêmio, Ronaldinho no Palmeiras” até que o desfecho se deu pelo motivo mais óbvio: grana, bufunfa, cascalho! No entanto, imagine o quanto um jogador de futebol é vaidoso! É fácil perceber que muitos atletas já estão se sentindo desvalorizados.

O departamento de marketing da Raposa consulta patrocinadores antigos, além das empresas que têm parceria atualmente, para viabilizar o salário e a permanência do gringo na Toca II. "A intenção inicial é repassar tudo o que conseguirmos ao Montillo, porque não será algo que passe pelo clube, que coloque a marca na camisa ou em propriedades nossas. A empresa irá explorar diretamente a imagem dele", explica Marcone Barbosa, diretor de marketing cruzeirense, em entrevista ao site Máquina do Esporte.


Será que vale a pena todo o esforço para segurar um atleta? Os jogadores externaram sua indignação, por meio de carta aos jornalistas, referente ao atraso de salário de alguns no elenco. Como fica a cabeça daquele zagueiro que leva bolada, põe o pé em todas as divididas, passa raiva com atacantes habilidosos. Como estaria também o pensamento daquele lateral que joga pertinho da torcida na Arena do Jacaré e ouve xingamentos que até Deus duvida por causa da má campanha do time? Enquanto o Cruzeiro faz das tripas o coração para pagar apenas um jogador! É aí que está ativada a bomba relógio. Creio que qualquer funcionário comum em uma empresa se indignaria e a situação se tornaria, inevitavelmente, motivo de burburinhos na rádio peão.

No entanto, com a troca de direção, coisa que o Cruzeiro não passava há muitos anos, burocracias financeiras impedem que as contas sejam acertadas logo de cara. Portanto, a casa ainda está desarrumada. Por isso, creio que não dá para assegurar que o clube está na pindaíba.

Mas, voltando a falar do craque argentino, observemos os números do jogador. Walter Damián Montillo, 27 anos, estreou pelo Cruzeiro em agosto de 2010. De lá para cá, foram 28 gols em 77 jogos e a conquista do Campeonato Mineiro do ano passado. Ele foi contratado junto ao Universidad de Chile, com um contrato que vai até 2015. No seu antigo clube atuou em 85 oportunidades, venceu 45 vezes, empatou 16 e perdeu 24, dados contabilizados dos torneios: Apertura, Clausura, Libertadores e Sul-Americana, desde 2008. Foi campeão do Apertura, em 2009.

Taticamente, uma lacuna no meio campo celeste foi preenchida e agora pode ser criada novamente, caso o clube não conte mais com os serviços do camisa 10. Vágner Mancini arma a equipe em um 4-4-2, destrinchado em 4-3-1-2, com Montillo na criação de jogadas. Perceba que esse esquema depende inteiramente de um enganche como o argentino. Claro que é início de temporada e há várias peças a estrear, mas se esse desenho se mantiver, o gringo tem que ficar em Belo Horizonte. Levando em conta a supervalorização do atleta, como sustentar e manter o grupo nas mãos, tendo em vista que jogador de futebol é um bicho vaidoso? Vale a pena bancar o talentosíssimo meia?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Alien versus Predador


O confronto entre Nadal e Djokovic foi simplesmente sensacional. Praticando tênis de alto nível nas 5h53min que permaneceram em quadra, eles chegaram a um nível fora dos padrões humanos. A partida que deu o terceiro título do Australian Open ao sérvio foi decidida no aspecto mental.

foto:William West/AFP
 Quem ligou a TV logo cedo, acompanhou um Nadal raçudo e movido pela emoção, como sempre. Assim, ele venceu o primeiro set, por 7 a 5. No entanto, o seu adversário não é o número 1 do mundo à toa. Djokovic demonstrou tranquilidade inexplicável e venceu dois sets seguidos: 6/4 e incríveis 6/2. Aí veio a reação do guerreiro espanhol.  Em set decidido em um ferrenho tie break, Rafa venceu por 7 a 6. 



A partida é digna de se transformar em livro, e o auge desse conto foi o último e decisivo set. Tudo empatado, sem quebras de serviço, até que Nadal conseguiu esse feito e brecou o sérvio, fazendo 4 a 2. Seria a vitória do espanhol, que fisicamente demonstrava estar voando e justificando o apelido de “animal”. Mas, Djokovic é Djokovic! Quando tudo parecia estar definido, ele quebrou o serviço do adversário e voltou ao jogo: 4 a 4. Monstruosamente, Djokovic não só voltou ao páreo, mas quebrou novamente o serviço de Nadal e adquiriu a vantagem de sacar para vencer. Engana-se quem pensa que foi tarefa fácil. O espanhol conseguiu emplacar paralelas que beiravam a perfeição. Mesmo pesando a mão no saque, os dois tenistas alienígenas trocaram bola insistentemente e em alto nível.  Ninguém estava ali para sair derrotado. Porém, cruelmente, um deles teria de se contentar em ser o vice.

Eis que, em um saque forçado, e devolução que por si só já parecia  milagre, Djokovic conseguiu o champioship point, subindo à rede e acelerando a bolinha verde à esquerda do espanhol, que não teve mais forças para batalhar. Fim de papo. A mais longa partida da final de um grand slam já tinha vencedor: Novak Djokovic. Eufórico e com a certeza de que fez uma das melhores partidas da sua vida, rasgou a camisa e foi em direção a sua fonte de inspiração e apoio: seu técnico Marian Vajda, o preparador físico, e sua namorada Jelena Ristic. Contando com a presença ilustre do campeoníssimo Rod Laver, que também já venceu o torneio três vezes, a Austrália acabara de presenciar um desses raros momentos que vão além do esporte. Com isso, temos de exaltar a garra desses dois tênistas. Fica a comparação com Alien e Predador, pois esses caras também são dois monstros!

Fox films

Além do esporte


Heróis. Não há melhor definição para ilustrar o que são as pessoas que estampam a fotografia na parte superior do blog. Eles são os homens do FC Start, jogadores do Dínamo de Kiev, da Ucrânia, que, em 1942, figuraram uma história gloriosa e sofrida, alçando o esporte a um grau maior. Mesmo oprimidos por forte dominação nazista que assolava e arrasava suas terras, eles triunfaram sobre a opressão e a barbárie de uma ideologia cruel e opressora. 

Liderados por Trusevich, um dos maiores goleiros que a Ucrânia já viu jogar, o time do FC Start encarou bravamente a equipe dos nazistas alemães. Há de se fazer uma menção honrosa ao defensor klimenko e o atacante troncudo Kuzmenko, que com seus fortes chutes derrubou os alemães como se estivesse abatendo um dos aviões da Luftwaffe. Rapazes trabalhadores que atuavam na mais famosa padaria de Kiev, uma cidade torturada e  que fora dizimada lentamente.

No estádio lotado de ucranianos apreensivos com a repreensão que os cercavam e eufóricos para que a resposta viesse dentro de campo, o alento para tanto sofrimento chegava. Já no início, intimados a fazer a saudação nazista "Heil Hitler" antes do início do espetáculo, os guerreiros ucranianos surpreenderam ao gritar "fizsculthura!" - que significa: vida longa ao esporte. Jogando de maneira extremamente ofensiva, os talentosos jogadores do FC Start batalhavam em campo, mesmo apanhando durante toda a partida sem que o juiz marcasse uma falta. No entanto, nada de lamentações ou desistências, esses homens sabiam que a vitória poderia lhes custar a vida. Eis o que os tornaram lendas aclamadas até hoje. Eles decidiram lutar e vencer dignamente assim como o único foco de resistência que guardava cada ucraniano. Resultado:  FC Start 5 x 3 Flakelf.

Não poderia ser diferente, o preço a ser pago foi muito caro. Segundo relatos de Goncharenko, membro da equipe do FC Start, o atletas Klimenko, Kuzmenko e Trusevich foram levados a um campo de concentração e dias depois mortos cruelmente. Nem os corpos desses heróis foram preservados, já que, na pressa de eliminar provas e se livrarem de acusações de crime de guerra, os alemães atearam fogo nos milhares de cadáveres, na ravina de Babi Yar, usada para depositar corpos de milhares de judeus e soldados mortos na dominação de kiev.

Essa história prova que o esporte é  mais do que apenas mero entretenimento. É um dos propulsores do mundo. Atletas de todos os cantos do planeta deviam conhecer esse fato, para que existisse o amor à camisa e a dignidade. Atualmente, o esporte gira uma máquina financeira gigantesca e faz com que guerras sejam interrompidas ou iniciadas. Esse blog tem a humilde pretensão de comentar os principais nuances e destaques dos principais e não-principais fatos do esporte em qualquer lugar que seja.