Divinópolis
é polo da moda em Minas. A cidade do centro-oeste do estado possui forte
indústria confeccionista, muito procurada pelos varejistas e atacadistas do
setor. Mas quando é esse o assunto, a Europa é quem tem o centro das atenções. Milão,
Londres e Paris são as capitais do mundo fashion. Porém, o papo aqui não é esse. A conexão Europa Divinópolis aqui é outra; e diz respeito ao futebol.
O
modesto Guarani importou um modelo de jogo oriundo do Velho Continente no duelo
contra o Galo, pela quarta rodada do Campeonato Mineiro. O tão difundido
4-2-3-1 toma conta dos esquemas táticos na Europa e aqui, no país tupiniquim, também é realidade em muitas equipes. No entanto, para o Bugre, o estilo
vindo do exterior não funcionou e o alvinegro massacrou o acanhado time do interior,
metendo um impiedoso 4 a 0.
Segundo
o livro Inverting the pyramid, do inglês Jonathan Wilson, o 4-2-3-1 surgiu
entre as Eurocopas de 1996 e 2000. Todavia, há registros de que o Manchester
United utilizava inconscientemente tal esquema em 1993, quando Paul Ince e Roy
Keane eram os volantes; com Giggs e Kancheslskis
adiantados pelos lados, e Eric Cantona recuando por trás de Mark Hughes.
Em suma, tudo começou porque o segundo atacante voltava para puxar a marcação
de um zagueiro.
De
lá da Terra da Rainha pegamos um voo para a nossa Minas Gerais, agora em
2012. O Guarani entrou em campo com: Thiago Régis; Luizinho, Márcio Santos,
Bruno Maia e Tita; André e Léo Medeiros; Magalhães, Walter Minhoca e Ely Thadeu;
Marinho. Esse foi o 4-2-3-1 bugrino. Apesar de ousada e aguda, a equipe não tem
talento para começar as jogadas. E esse modelo exige que os volantes saibam
municiar o trio de meias que ficam em constante movimentação para buscar jogo.
No entanto, o que se viu foi um meio desorganizado, estático e insistente nas
jogadas pelo lado esquerdo, desperdiçando as subidas de Luizinho na direita.
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| 4-2-3-1 bugrino ineficiente contra o Atlético-MG |
O Galo utilizou esquema semelhante com uma variável importante no ataque. O 4-2-2-2
virava 4-2-3-1 quando Berola – que entrou no lugar de Danilinho – voltava para
buscar jogo e atuar mais próximo de Marcos Rocha. O alvinegro atuou assim: R.
Ribeiro; Marcos Rocha, R. Marques, Réver e Richarlyson; L. Donizete e Pierre;
Escudero e Mancini; (Danilinho) Berola e André. E quem vai para casa feliz, além
do sempre eufórico torcedor atleticano, é Mancini, que, junto com André, foi o
melhor em campo e anotou um golaço de falta.
Enquanto
o 4-2-3-1 se torna o feijão com arroz do futebol nacional, a Seleção Brasileira
perde posições no ranking da FIFA. Por outro lado, o Corinthians se consagra
campeão brasileiro com esse modelo. Assim, uma nova tendência vem à tona. Há a
necessidade de dois volantes? O Barcelona, que varia o 4-3-3 e o 3-4-3, proveniente
da escola de El loco Bielsa, deveria ser o exemplo a ser seguido? Parece que essas são perguntas que o tempo irá responder... Enquanto isso em Divinópolis,
que completa 100 anos em 2012, André fez três gols, pediu música e o Galo bicou
o Bugre.


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