domingo, 26 de fevereiro de 2012

Conexão Europa Divinópolis


Divinópolis é polo da moda em Minas. A cidade do centro-oeste do estado possui forte indústria confeccionista, muito procurada pelos varejistas e atacadistas do setor. Mas quando é esse o assunto, a Europa é quem tem o centro das atenções. Milão, Londres e Paris são as capitais do mundo fashion. Porém, o papo aqui não é esse. A conexão Europa Divinópolis aqui é outra; e diz respeito ao futebol.

O modesto Guarani importou um modelo de jogo oriundo do Velho Continente no duelo contra o Galo, pela quarta rodada do Campeonato Mineiro. O tão difundido 4-2-3-1 toma conta dos esquemas táticos na Europa e aqui, no país tupiniquim, também é realidade em muitas equipes. No entanto, para o Bugre, o estilo vindo do exterior não funcionou e o alvinegro massacrou o acanhado time do interior, metendo um impiedoso 4 a 0.

Segundo o livro Inverting the pyramid, do inglês Jonathan Wilson, o 4-2-3-1 surgiu entre as Eurocopas de 1996 e 2000. Todavia, há registros de que o Manchester United utilizava inconscientemente tal esquema em 1993, quando Paul Ince e Roy Keane eram os volantes; com Giggs e Kancheslskis adiantados pelos lados, e Eric Cantona recuando por trás de Mark Hughes. Em suma, tudo começou porque o segundo atacante voltava para puxar a marcação de um zagueiro.

De lá da Terra da Rainha pegamos um voo para a nossa Minas Gerais, agora em 2012. O Guarani entrou em campo com: Thiago Régis; Luizinho, Márcio Santos, Bruno Maia e Tita; André e Léo Medeiros; Magalhães, Walter Minhoca e Ely Thadeu; Marinho. Esse foi o 4-2-3-1 bugrino. Apesar de ousada e aguda, a equipe não tem talento para começar as jogadas. E esse modelo exige que os volantes saibam municiar o trio de meias que ficam em constante movimentação para buscar jogo. No entanto, o que se viu foi um meio desorganizado, estático e insistente nas jogadas pelo lado esquerdo, desperdiçando as subidas de Luizinho na direita.

4-2-3-1 bugrino ineficiente contra o Atlético-MG


O Galo utilizou esquema semelhante com uma variável importante no ataque. O 4-2-2-2 virava 4-2-3-1 quando Berola – que entrou no lugar de Danilinho – voltava para buscar jogo e atuar mais próximo de Marcos Rocha. O alvinegro atuou assim: R. Ribeiro; Marcos Rocha, R. Marques, Réver e Richarlyson; L. Donizete e Pierre; Escudero e Mancini; (Danilinho) Berola e André. E quem vai para casa feliz, além do sempre eufórico torcedor atleticano, é Mancini, que, junto com André, foi o melhor em campo e anotou um golaço de falta.
O Galo variava o 4-2-2-2 com 4-2-3-1 de acordo com Neto Berola


Enquanto o 4-2-3-1 se torna o feijão com arroz do futebol nacional, a Seleção Brasileira perde posições no ranking da FIFA. Por outro lado, o Corinthians se consagra campeão brasileiro com esse modelo. Assim, uma nova tendência vem à tona. Há a necessidade de dois volantes? O Barcelona, que varia o 4-3-3 e o 3-4-3, proveniente da escola de El loco Bielsa, deveria ser o exemplo a ser seguido? Parece que essas são perguntas que o tempo irá responder... Enquanto isso em Divinópolis, que completa 100 anos em 2012, André fez três gols, pediu música e o Galo bicou o Bugre.

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