Tango
argentino daqueles dançados à beira do Rio da Prata. Essa seria a trilha
perfeita para sonorizar os melhores momentos do Cruzeiro em 2012. Não só porque
o hermano Montillo é o melhor jogador da equipe, mas também pelo esquema tático
adotado. Os três volantes escalados por Vágner Mancini no time celeste
confirmam a tendência que domina o futebol no país vizinho.
O
ano de 2012 começou repleto de incertezas para a Raposa. O momento turbulento no
início de temporada se refletiu nos jogos contra América, Mamoré e Guarani-MG.
Mancini ainda procura o time ideal, mas já deu mostras de que não abrirá mão
dos três volantes. O 4-3-1-2 cruzeirense está assim: Fábio; Marcos, Léo,
Victorino e Diego Renan; Marcelo Oliveira, Leandro Guerreiro e Roger (não é
volante, mas recua para buscar jogo); Montillo; Anselmo Ramon e Wellington
Paulista.
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| 4-3-1-2 cruzeirense depende da movimentação de Roger |
Agora
batemos à porta de nossos vizinhos: os argentinos. O 4-3-1-2 virou moda por lá.
O Boca Juniors, principal equipe argentina atualmente, entra em campo na
maioria dos jogos com: Orion; Roncaglia, Schiavi, Insauralde e F.Sosa; Somoza,
Erviti e Rivero; Riquelme; Cvitanich e Mouche. Dessa forma, eles venceram o
Apertura, com inclusão do lateral esquerdo Clemente Rodrigues – que
está machucado. E não são apenas os xeneizes que jogam assim. Belgrano,
Estudiantes, Vélez, Racing também são adeptos dos três volantes.
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| Boca Juniors dos último jogo pela Libertadores 2012 |
Tal
utilização desse estilo de jogo faz com que volantes se destaquem. Basta pensar
um pouco para encontrar bons atletas argentinos nessa posição: Guiñazu,
Bolatti, Gago, Banega, Cambiasso, Mascherano... Isso acontece porque o esquema exige
que esses jogadores saibam armar com qualidade. Outro fator determinante é o
uso do enganche, homem que joga a frente da linha de volantes. Nesse quesito
são especialistas: Riquelme, D’Alessandro, Conca, Montillo, Pastore (que também
joga pelos extremos).
O
Cruzeiro vai se mostrando mais argentino do que nunca. Entretanto, todo esse
esquema depende da atuação de Roger junto ao camisa 10 azul. Quando sobe para
se aproximar dos avançados, a Raposa retorna ao tradicional 4-2-2-2, abrindo
Wellington Paulista e Anselmo Ramon para as infiltrações de Montillo pelo meio,
como aconteceu nos dois gols da última partida contra o Democrata, pela quarta rodada do Estadual. É notável,
principalmente pelas atuações contra Tupi e Nacional de Nova Serrana que Roger
deu qualidade a armação e aliviou Montillo na criação das jogadas, porém deixou
brechas e sobrecarregou Leandro Guerreiro na cobertura.
No
Brasil, o Santos incorpora o mesmo sistema, com o característico losango à la Muricy Ramalho. No entanto, o Peixe possui uma faceta decisiva: Neymar
é um monstro e se movimenta por toda a intermediária ofensiva. Enquanto isso, aqui em BH, o que vai definir
o sucesso do 4-3-1-2 cruzeirense é a qualidade dos volantes. Rudnei, Amaral,
Éverton e Diego Arias são as opções que Mancini tem no banco. Resta saber se o
técnico cruzeirense terá tempo de bailar alegremente ao som do tango ou se vai
ouvir o temido hit da dança das cadeiras dos técnicos brasileiros.



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