segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cruzeiro mais argentino do que nunca



Tango argentino daqueles dançados à beira do Rio da Prata. Essa seria a trilha perfeita para sonorizar os melhores momentos do Cruzeiro em 2012. Não só porque o hermano Montillo é o melhor jogador da equipe, mas também pelo esquema tático adotado. Os três volantes escalados por Vágner Mancini no time celeste confirmam a tendência que domina o futebol no país vizinho.

O ano de 2012 começou repleto de incertezas para a Raposa. O momento turbulento no início de temporada se refletiu nos jogos contra América, Mamoré e Guarani-MG. Mancini ainda procura o time ideal, mas já deu mostras de que não abrirá mão dos três volantes. O 4-3-1-2 cruzeirense está assim: Fábio; Marcos, Léo, Victorino e Diego Renan; Marcelo Oliveira, Leandro Guerreiro e Roger (não é volante, mas recua para buscar jogo); Montillo; Anselmo Ramon e Wellington Paulista.

4-3-1-2 cruzeirense depende da movimentação de Roger


Agora batemos à porta de nossos vizinhos: os argentinos. O 4-3-1-2 virou moda por lá. O Boca Juniors, principal equipe argentina atualmente, entra em campo na maioria dos jogos com: Orion; Roncaglia, Schiavi, Insauralde e F.Sosa; Somoza, Erviti e Rivero; Riquelme; Cvitanich e Mouche. Dessa forma, eles venceram o Apertura, com inclusão do lateral  esquerdo Clemente Rodrigues – que está machucado. E não são apenas os xeneizes que jogam assim. Belgrano, Estudiantes, Vélez, Racing também são adeptos dos três volantes.

Boca Juniors dos último jogo pela Libertadores 2012


Tal utilização desse estilo de jogo faz com que volantes se destaquem. Basta pensar um pouco para encontrar bons atletas argentinos nessa posição: Guiñazu, Bolatti, Gago, Banega, Cambiasso, Mascherano... Isso acontece porque o esquema exige que esses jogadores saibam armar com qualidade. Outro fator determinante é o uso do enganche, homem que joga a frente da linha de volantes. Nesse quesito são especialistas: Riquelme, D’Alessandro, Conca, Montillo, Pastore (que também joga pelos extremos).

O Cruzeiro vai se mostrando mais argentino do que nunca. Entretanto, todo esse esquema depende da atuação de Roger junto ao camisa 10 azul. Quando sobe para se aproximar dos avançados, a Raposa retorna ao tradicional 4-2-2-2, abrindo Wellington Paulista e Anselmo Ramon para as infiltrações de Montillo pelo meio, como aconteceu nos dois gols da última partida contra o Democrata, pela quarta rodada do Estadual. É notável, principalmente pelas atuações contra Tupi e Nacional de Nova Serrana que Roger deu qualidade a armação e aliviou Montillo na criação das jogadas, porém deixou brechas e sobrecarregou Leandro Guerreiro na cobertura.

No Brasil, o Santos incorpora o mesmo sistema, com o característico losango à la Muricy Ramalho. No entanto, o Peixe possui uma faceta decisiva: Neymar é um monstro e se movimenta por toda a intermediária ofensiva. Enquanto isso, aqui em BH, o que vai definir o sucesso do 4-3-1-2 cruzeirense é a qualidade dos volantes. Rudnei, Amaral, Éverton e Diego Arias são as opções que Mancini tem no banco. Resta saber se o técnico cruzeirense terá tempo de bailar alegremente ao som do tango ou se vai ouvir o temido hit da dança das cadeiras dos técnicos brasileiros.


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