quinta-feira, 21 de junho de 2012

Boca x La U: Sem ferrolho, pelo amor de Deus!



Isso sim é um ferrolho: a peça que integra uma fechadura
O tal do “ferrolho” está na moda. Contudo, graças ao bom Deus do futebol, hoje, no jogo entre Boca Juniors e Universidad de Chile, pela semifinal da Libertadores, teremos a oportunidade de descansarmos nossos olhos dessas retrancas chatas.

Logicamente, o Boca vai a Santiago para administrar o resultado (2 a 0 a seu favor em Buenos Aires), mas passa longe de se proteger em uma trincheira  insuportável, hoje tão na moda e batizada de “ferrolho” – que diga-se de passagem, ganha campeonatos.

Na terra do tango, La U dançou. O esquema extremamente ofensivo concatenado por Sampaoli não foi suficiente para calar La Bombonera e resfriar as possibilidades argentinas, mediante aos espaços aproveitados pelo copeiro Boca.

As variações entre 3-4-3 e 4-3-3 ditam a moderna forma de jogar dos chilenos, o mais próximo na América do Sul ao tão venerado modo Barcelona de atuar.

O 3-4-3 varia em 4-3-3 de acordo com a movimentação dos alas
Já o Boca, de Maradona, Palermo, Ibarra, Juan Martín Del Potro, entre outros que estiveram no estádio para endossar o coro de milhares de fanáticos xeneizes, permanece imutável no seu 4-3-1-2. Sanchez Miño foi a novidade na lateral esquerda, já que Clemente Rodriguez ficou de fora por contusão.

O imutável e letal esquema 4-3-1-2 que gira em torno de Riquelme
Para a noite de hoje, as expectativas deixam exultantes aos apreciadores de bom futebol. A ofensividade vai dar o tom da harmonia entoada pela U no jogo.

O trio de atacantes (Junior Fernandez, Martinez e Lorenzetti) deve infernizar os pesados beques Schiavi e Insaurralde. Mas, para quem tem Riquelme como árbitro auxiliar e bom distribuidor de bola, resta contar com a estrela de El tanque Santiago Silva.

domingo, 15 de abril de 2012

Preparador de goleiros da Seleção fecha com o Galo

Novo preparador atleticano estava no Grêmio


O Atlético-MG anunciou a contratação de Francisco Cersósimo, preparador de goleiros da Seleção Brasileira. Mais uma vez, Renan Ribeiro ganha um fio de esperança para melhorar seu desempenho.  Cersósimo teve rápida passagem de quatro meses pelo Galo, quando trabalhou com Danrlei. Conheça o estilo de trabalho do preparador na entrevista concedida ao site Futebol sem off, do jornalista Darci Filho, do Rio Grande do Sul, em março do ano passado.

Veja a entrevista no link abaixo:


                                    http://www.futebolsemoff.com.br/wordpress/?p=517


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Como parar o Bayern?



Aparando as pontas. Sim, isso mesmo! Neutralizar os jogadores que atuam nos extremos do ataque do Bayern é a melhor maneira de brecar a poderosa força alemã. O holandês Arjen Robben e o francês Frank Ribery são os responsáveis por municiar a máquina de gols chamada Mario Gomez. No entanto, quando esses homens são marcados individualmente, a história é bem diferente e sem gols para os bávaros.

O 4-2-3-1 é o esquema utilizado pelo Bayern - diga-se de passagem que essa configuração se tornou o "Instagram do futebol", todo mundo usa. Tudo começa pela muralha no gol: Neuer. Boateng, Badstuber, Alaba e o experiente Lahm formam a zaga. A cartela de opções defensivas do meio de campo garante tranquilidade e menos responsabilidade de marcação aos homens de frente. Para isso, o time conta com Schweinsteiger, Tymoschuk, Kroos e Luis Gustavo. Já para formar o trio de armação de jogadas, Muller, Ribery e Robben são as unanimidades. Mario Gomez, em grande fase, reveza a posição com Olic. Essa é a formação tradicional da equipe da Baviera, que tem como ponto fraco a dependência excessiva dos médios alas.

Ribery e Robben não encontraram a faclilidade costumeira para realizar cruzamentos para Mario Gomez, que pouco tocou na pelota
Foi exatamente essa a arma usada pelo Borussia Dortmund para vence-los e, praticamente, garantir o título alemão. Também armado em um 4-2-3-1, os atuais campeões germânicos utilizaram Schmelzer e Grosskreutz para abafar Robben, enquanto Piszchek e Kuba não deixaram Ribery jogar. Foi tiro e queda. Bastou um golzinho e muita garra para suportar a pressão e evitar o empate.

O Real Madrid vai encarar os alemães, pela UCL, no meio da semana que vem. Fica a dica para José Mourinho.

O melhor time da Libertadores


Em um grupo que conta com Universidade de Chile, campeão da Sul-Americana; Peñarol, vice-campeão da Libertadores, além dos argentinos do Godoy Cruz, quem dá as cartas é o Atlético Nacional de Medellín. O alviverde colombiano segue à risca a cartilha para se dar bem na competição continental: forte pegada e mal desempenho no campeonato nacional.

Ocupando a modesta 14° posição do Campeonato Colombiano, que conta com 18 agremiações, o Atlético Nacional parece preterir o torneio nacional para investir forte na Libertadores. Estratégia que, pelo menos até agora, deu muito certo. Na estreia, bateu La U em casa, por 2 a 0. Em seguida, goleou o Penãrol, no Uruguai, por 4 a 0. Apenas o Godoy Cruz conseguiu segurá-los, por dois empates, sendo um 4 a 4 e outro 2 a 2. A última partida do grupo, contra a Universidad de Chile, fora de casa, poderá garantir a primeira posição na classificação geral na competição.

No último jogo, contra o decadente e desclassificado Peñarol, o Atlético fez valer sua superioridade e desmoralizou os uruguaios, somando 7 a 0 no placar agregado. Se na partida em Montevidéu, a goleada por 4 a 0 parecia uma mera surpresa, a supremacia foi confirmada nos 3 a 0 aplicados ontem, em Medellín.
Neste 4-2-3-1 destaque para os volantes que tocam a bola rapidamente e municiam o ataque puxado por Mac Torres. Apesar da semelhança, esse modelo se distingue do utilizado pelo Boca Juniors, que usa os médios como alas 
 A organização tática, a velocidade, e o toque de bola rápido figuram como principais características dessa equipe. Atuando em um 4-3-1-2, bem diferente do utilizado pelo Boca Juniors, por exemplo, o destaque dessa configuração fica por conta da compactação dos três volantes, que não dão mais que três toques na bola. Macnelly Torres é o “1” desse esquema e não deixa a desejar, pelo contrário, faz a transição das jogadas entre os volantes e os dois atacantes velocistas. Por falar em ataque, eles possuem o melhor da Libertadores até agora, além do artilheiro do torneio, com seis gols: Dorlan Pabon.
Após as três substituições e a mudança para o 4-2-2-2 o time continuou ofensivo e organizado
A variação desse esquema é o 4-2-2-2, utilizado na estreia, contra La U. Para isso, o técnico Andres Arango sacrificou o volante Córdoba, desfazendo a trinca e lançando mão de Mosquera – meia ofensivo bastante veloz. Assim, mesmo já vencendo por 2 a 0, na segunda etapa, os colombianos mantiveram o toque de bola rápido e vertical.
Trunfo dos alviverdes foi Mac Torres que jogou enfiado entre as duas linhas de 4, do Peñarol
Com os gols de Murillo, Diego Alvarez e Pabon, o alviverde não encontrou dificuldades para superar o 4-4-2 ortodoxo do Peñarol, que conta em seu elenco com os ex-atleticanos Carini e João Pedro. Esse é o Atlético Nacional de Medellín. Portanto não considere surpresa alguma se um time colombiano for considerado favorito na fase de mata-mata.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A crise no gol do Galo está além de Renan Ribeiro


Foto: Marco Antônio Astoni/Globoesporte.com



Que Renan Ribeiro não oferece segurança ao torcedor atleticano, todos já sabem. No entanto, vale ressaltar que a posição de goleiro é definida pelo fator treinamento. Sendo assim, o treinador de goleiros é a figura responsável por formar profissionais de talento abaixo das metas. E nesse quesito, o Atlético viveu  fase de sucessivas trocas de comissões técnicas na década passada. O prejuízo disso é a ausência de um camisa 1 que dê alegrias a torcida alvinegra.

É de conhecimento geral que o técnico é o primeiro a pagar o pato quando os resultados positivos não acontecem. A partir da crise de arqueiros vivida pelo Galo, há de se questionar o fato da troca de pelo menos 10 profissionais dessa área, desde 2004.

O nome do último goleiro atleticano que garantia segurança ao torcedor foi Diego Alves, integrante da equipe campeã da Série B. Todavia, quem também merece ser lembrado é Aílton Serafim, preparador responsável por revelar Diego Alves e Bruno Fernandes – ex-namorado de Eliza Samudio.

Presente na base atleticana desde 2004, Serafim deixou o Clube em 2009 para se integrar a comissão técnica do Sport, de Recife. Após sua saída, o Galo contou com goleiros como Carini, Aranha, Edson, Juninho, Servulo. Ou seja, a crise estava instaurada abaixo das metas alvinegras.

Todo esse cenário caótico parecia ter se findado em 2010, quando surgiu Renan Ribeiro. Graças à parceria com o preparador Oscar Rodriguez, ex-Cruzeiro, o jovem arqueiro se destacou nas divisões de base da Seleção Brasileira e passou a ser um pedido latente da massa atleticana. Vale lembrar que o responsável por Renan Ribeiro na base foi o atual treinador de goleiros William de Castro. Porém, Oscar Rodriguez foi um dos principais causadores do bom desenvolvimento do atleta, tanto que Renan lamentou bastante sua transferência para o Santos, onde revelaria Rafael.

Barbirotto foi o substituto de Rodriguez, porém a sinergia do bom trabalho realizado anteriormente com Renan Ribeiro não foi a mesma. Consequência disso foi o pedido do arqueiro para que voltasse a trabalhar com William de Castro. Nesse período, o Atlético-MG até chegou a sondar o retorno de Oscar Rodriguez, mas a negociação não se concretizou.

Para agravar a situação alvinegra, Renan Ribeiro passou por um drama pessoal – perdeu a irmã vitimada pelo câncer, em 2011. A queda de rendimento foi gradativa e a paciência da torcida e da diretoria se esgotou no último clássico. Renan tomou 100 gols em 79 partidas, 19 para o maior rival.

Oposto a esse desagradável panorama vivido pelo Galo é o Cruzeiro. As excelentes atuações de Fábio refletem a regularidade e o maior tempo de trabalho que os preparadores de goleiro têm na Toca da Raposa. O preparador Robertinho atua desde 2010, quando substituiu Oscar Rodriguez. Anteriormente, Flavio Tênius postulava na comissão técnica e ele revelou Gomes e Jefferson, nos seus cerca de sete anos de passagens pelo cruzeiro, desde 1999. Atualmente, Rafael e Gabriel são as esperanças de renovação debaixo das traves celestes.

Está na boca do povo: “A base de um time campeão começa pelo gol”. Mais do que nunca está comprovada a necessidade de um bom profissional preparador de goleiros. Não é, Alexandre kallil?

Nomes de preparadores de goleiro que passaram pelos times mineiros

No Atlético-MG

Ailton Serafim *base 2004 a 2009
Jorge Azevedo 2005
Almir Domingues 2006 e 2007
Wanderley Filho 2007
Carlos Puppo 2008
Marcos Antônio Leme 2009
Eduardo Bahia 2009 e 2010
Oscar Rodriguez  2010
Barbirotto 2010 e 2011
William de Castro 08/2011 até hoje

No Cruzeiro:

Flávio Tenius - 1999 a 2004
Pedro Santilli – 2004
José Mário Prado - 2004
Rubens Ferreira Lima (Rubão) - 2004
Cassius Marcelo Hartman – 2005
Guilherme Gusmão – 2005
Flávio Tênius - 2006 a 2008
Oscar Rodriguez - 2008 a 2010
Robertinho 2010 até hoje

domingo, 8 de abril de 2012

Por que todo clássico é nervoso?


Você, como legítimo brasileiro, é um homem cordial e isto está em suas entranhas. O historiador Sérgio Buarque de Hollanda já caracterizava, em 1938, no seu livro Raízes do Brasil, nosso jeito de ser desde quando nos entendemos por brasileiros. Ser um homem cordial, na visão dele, significa ser movido pela emoção. E foi exatamente esse fator que decidiu o clássico Atlético e Cruzeiro, da primeira fase, do “badalado” Campeonato Mineiro de 2012.
O jogo trazia alta carga emotiva devido à goleada de 6 a 1, aplicada pelo Cruzeiro no clássico do ano passado, pela última rodada do Brasileirão. Isso fez com que o Galo começasse a partida a mil por hora. A Raposa não encontrou formas de deter o fulminante ataque alvinegro no primeiro tempo. Em seguida, a equipe celeste foi quem tomou as dores e se viu na obrigação de pressionar o rival na segunda etapa. Por fim, tudo igual, 2 a 2, mas a mania de reclamar da arbitragem e o fator emoção, mais uma vez, caracterizou o clássico mineiro. Porém, em vez de fazer uma incursão tática ao que todos já viram, que tal analisar o porquê de tanto chororô?

Para início de conversa, é necessário relembrar que a gênese da sociedade brasileira está diretamente ligada aos portugueses. Ao traçarmos um paralelo entre nossos colonizadores e os espanhóis, que colonizaram nossos vizinhos, percebemos porque carregamos a “preguiça” como rótulo. A forma racional de pensar os espaços faz do espanhol um povo racionalmente melhor organizado, desde os tempos de imperialismo avassalador das duas potências, enquanto os portugueses permeavam suas cidades com edificações irregulares, demonstrando sinais de falta de capricho.

Somos herdeiros desse comportamento “pelos cocos” dos lusitanos. Sergio Buarque de Hollanda, em Raízes do Brasil, apoiou-se no filósofo alemão Webber para traçar o perfil do brasileiro. Entre os produtos desse vasto estudo, foi constatado que somos cordiais, mas não no sentido de ser calmos. O termo refere-se a um tipo de pessoa que tem dificuldade de diferenciar o público do privado - vide o alto índice de corrupção em Brasília -, além de encontrar dificuldades para seguir as burocráticas relações frias estabelecidas com o Estado. Há também de acrescentarmos a isso uma pitada de “pimenta”, ou seja, emoção regendo a tomada de decisões. Exemplo disso é o excesso de diminutivos que usamos nas palavras para criar afinidade e dar aquele “jeitinho” de resolver um problema. No futebol podemos associar esse comportamento àquela tradicional conversa dos jogadores com o árbitro  durante todo o jogo, pedindo cartão ou reclamando, tendo em vista que, na maioria das vezes,  a decisão do juiz é irreversível.

Todo esse caldeirão de emoções, criados involuntariamente por características que fazem de nós legítimos brasileiros, é nitidamente percebida em jogos de alta tensão. A arbitragem entra pressionada e, por ser um duelo nervoso, a possibilidade de uma expulsão é percebida de imediato no início das partidas. E não fica restrito apenas ao apito, acompanharemos ainda a eterna provocação entre dirigentes que vai muito além de qualquer competição. Seja no Oiapoque ou Chuí, todo dérbi conta com aquilo que inconscientemente trazemos do berço: nervos à flor da pele.

Defeitos de personalidade à parte, lembremos que a emoção é o vento que move o moinho do futebol. Por que todo clássico é nervoso? Porque nossa personalidade reflete o que acontece lá dentro das quatro linhas.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Libertad...ores


Libertad...ores!

Com certo tempo disponível para tal, acompanhei a virada do Libertad para cima do Nacional, em casa, em partida pelo grupo 5 da Libertadores. O time pelo qual torce o mandachuva da Conmebol, Nicolas Leóz, se deu bem ao vencer, por 2 a 1, com um gol daqueles bem chorados ao apagar das luzes. O resultado classificou os paraguaios, eliminou o Nacional e, de tabela, deixou o Vasco com passagem garantida a próxima fase.

A entrada de Menendez no lugar de Civelle tornou a formação mais ofensiva, próxima de um 4-3-3

A insistência foi a marca do time alvinegro que fez prevalecer o fator mando de campo. Armado e um 4-4-2 repleto de variações, o time paraguaio comandado por Burrochaga foi a campo com: Muñoz; Bonet, Benegas,  Nesuti e Samudio; Aquino; Caceres, Santana e Civelli, Nuñes e Velásquez. Equipe aguerrida demonstrou que tem o principal ingrediente exigido pela competição: raça – muitas vezes confudida com pancada - e persistência.

Já o Nacional, que saiu na frente devido a uma bobeada do defensor adversário, estava escalado por Gallardo da seguinte forma: Borian; Nuñez, Scotti, Jadson Vieira e Rolin; Da Monte, Abero, Calzada e Vecino; Viudez e Sanchez. A pouca efetividade no ataque tirou dos uruguaios a possibilidade de vencer o confronto e seguir adiante na competição.

Destaque para Viudez, que é rápido e dá trabalho pela boa movimentação que atrai os volantes e deixa o meio aberto
No início do primeiro tempo, o Nacional imprimiu forte ritmo e, em uma bobeira da fraca zaga do Libertad, o oportunista Viudez anotou o primeiro tento do jogo. Na segunda etapa foram os paraguaios quem assumiram a postura de protagonistas e mandantes do jogo. Boa jogada de Bonet pela direita, ótima aparição de Velásquez para empurrar a bola cruzada para a pequena área. Ao fechar das cortinas, o veterano Recoba viu a bola ricochetear em suas canelas e sobrar no pé do volantão Cáceres, que só teve o trabalho de garantir que o barbante fosse sacudido e a torcida fosse ao delírio.

Estava jogada a pá de cal sobre qualquer sonho dos uruguaios, time de coração do Loco Abreu, na Libertadores. De quebra o Vasco ainda se garantiu nas oitavas de final.