quinta-feira, 1 de março de 2012

Futebol e crise: caos econômico atinge o futebol pelo mundo

A economia brasileira vai bem! Obrigado. Por isso, estamos vivendo momento de repatriar jogadores caros que atuam na Europa. As cotas de transmissão dos jogos aumentaram consideravelmente. Além disso, o país se prepara para receber a Copa do Mundo.  Entretanto, imagine o que está passando a Grécia agora. Esse país vive uma intensa convulsão econômica causada por vasta herança de más administrações estatais. E o futebol? Como fica nessa lamentável história. Na América do Sul, encontramos exemplos recentes como o do Peru e da Argentina para exibirmos esse panorama alarmante.


Presente de Grego

Onda de protestos crescem na Grécia
Berço da civilização ocidental, a Grécia recebeu um presente de grego dos seus administradores de Estado. A dívida grega ,de cerca de 300 bilhões de euros, é fruto de vultosas quantias desembolsadas com gastos públicos. Não há segredo: quem gasta mais do que arrecada, endivida-se. Recentemente, pacotes de resgate são negociados pelos demais países da zona do Euro que, em contrapartida, exigem medidas rígidas para que o país regularize seus gastos internos. Resultado: o povo paga por isso. A idade para se aposentar foi estendida, o salário mínimo reduzido e os  impostos aumentados. Está formado o caos grego.

Esse panorama atinge o futebol diretamente. A crise causou as primeiras consequências contundentes no esporte grego. Na última segunda-feira, a federação local anunciou o cancelamento da segunda e da terceira divisão do campeonato nacional de futebol. Inviabilizados pela falta de recursos para investir nas divisões de acesso. Isso causa a debandada de vários atletas, como aconteceu com os volantes Dudu Cearense (Atlético-MG) e Gilberto Silva (Grêmio), além do lateral Gabriel (Grêmio). Se não bastasse o problema econômico, a manipulação de resultados fez com que times fossem rebaixados e dirigentes presos, no ano passado. A insegurança e a tensão são alarmantes naquele país.

Apesar do mau momento financeiro, clubes grandes conseguiram figurar nos principais torneios europeus. O PAOK chegou à fase eliminatória da Europa League, mas foi eliminado pela Udinese, em casa, perdendo por 3 a 0. Já o Olympiakos avançou as oitavas-de-final dessa mesma competição ao passar pelo Rubin Kazan, da Rússia. A equipe, atual campeã grega, também disputou a fase de grupo da Liga dos Campeões.

Peru no buraco

Apesar de infame, o trocadilho descreve perfeitamente a situação do futebol peruano. Na última Copa Sul-Americana, o caso mais comentado por aqui foi o do Universitário. Os atletas ameaçaram não entrar em campo contra o Vasco, em novembro do ano passado. No entanto, o time entrou no relvado e deu trabalho para a equipe carioca. Os peruanos chegaram a vencer em casa por 2 a 0, o que exigiu muito suor do Gigante da Colina para aplicar uma sofrida goleada de 5 a 2, em São Januário. Mas, de lá para cá, a situação se agravou bastante . Exemplo disso é o Universidad San Martin, três vezes campeão nacional, que não resistiu e fechou o departamento de futebol profissional devido a atrasos salariais.

Último time do Universidad San Martin , que desistiu do futebol


Mesmo com o crescimento de 5,96% do PIB nacional do Peru,  em 2011, alavancado pelo mercado interno e a demanda internacional, os clubes de futebol peruanos convivem há anos com uma rotina de atrasos salariais a jogadores e funcionários das equipes acobertados por dirigentes. A insatisfação dos atletas é refletida por meio de greves. Para se ter uma ideia da profundidade da crise, a Associação de Futebol profissional (AFDP) regularizou uma série de medidas que previam que os vencimentos em débito fossem regularizados em 24 meses. Fato esse que causou insatisfação geral no Sindicato dos Jogadores, que rechaçou imediatamente essa ação, exigindo cumprimento dos compromissos em até 12 meses.

Em consequência desse impasse, o Campeonato Peruano está parado. Equipes mandaram os elencos das categorias de base na primeira rodada e muitas outras optaram por não entrar em campo, perdendo por WO.

O panelaço e os tempos de crise dos Hermanos

Situação semelhante já viveram os argentinos. Em 2001, a crise tomou conta do país, que resultou em rodízio de cinco presidentes em um período de apenas 12 dias, além de inúmeras mortes decorrentes de protestos. Vítima de efeito cascata negativo de fenômenos econômicos na década de 1990, a Argentina deu o maior calote de todos os tempos. Foram cerca de 82 bilhões de dólares. A crise chegou aos clubes que se endividaram e também deixou jogadores com salários atrasados. Um reflexo torto de toda essa conjuntura cataclísmica da época é a Seleção Argentina da Copa de 2002, que foi eliminada ainda na primeira fase da competição.

Batistuta desolado após eliminação precoce na Copa de 2002
Recentemente os clubes argentinos se endividaram e dependeram de intervenção do governo para atenuar os déficits. Isso ocorreu devido ao fato de os times de lá dependerem da venda de jogadores para a Europa, que está em momento de baixa financeira. Salvo equipes como Lanús, Godoy Cruz, Estudiantes de La Plata e Vélez Sarsfield, todas as demais passam por momento complicado no caixa. O River Plate foi o principal personagem desse caos, que resultou em seu rebaixamento no ano passado.