terça-feira, 10 de abril de 2012

A crise no gol do Galo está além de Renan Ribeiro


Foto: Marco Antônio Astoni/Globoesporte.com



Que Renan Ribeiro não oferece segurança ao torcedor atleticano, todos já sabem. No entanto, vale ressaltar que a posição de goleiro é definida pelo fator treinamento. Sendo assim, o treinador de goleiros é a figura responsável por formar profissionais de talento abaixo das metas. E nesse quesito, o Atlético viveu  fase de sucessivas trocas de comissões técnicas na década passada. O prejuízo disso é a ausência de um camisa 1 que dê alegrias a torcida alvinegra.

É de conhecimento geral que o técnico é o primeiro a pagar o pato quando os resultados positivos não acontecem. A partir da crise de arqueiros vivida pelo Galo, há de se questionar o fato da troca de pelo menos 10 profissionais dessa área, desde 2004.

O nome do último goleiro atleticano que garantia segurança ao torcedor foi Diego Alves, integrante da equipe campeã da Série B. Todavia, quem também merece ser lembrado é Aílton Serafim, preparador responsável por revelar Diego Alves e Bruno Fernandes – ex-namorado de Eliza Samudio.

Presente na base atleticana desde 2004, Serafim deixou o Clube em 2009 para se integrar a comissão técnica do Sport, de Recife. Após sua saída, o Galo contou com goleiros como Carini, Aranha, Edson, Juninho, Servulo. Ou seja, a crise estava instaurada abaixo das metas alvinegras.

Todo esse cenário caótico parecia ter se findado em 2010, quando surgiu Renan Ribeiro. Graças à parceria com o preparador Oscar Rodriguez, ex-Cruzeiro, o jovem arqueiro se destacou nas divisões de base da Seleção Brasileira e passou a ser um pedido latente da massa atleticana. Vale lembrar que o responsável por Renan Ribeiro na base foi o atual treinador de goleiros William de Castro. Porém, Oscar Rodriguez foi um dos principais causadores do bom desenvolvimento do atleta, tanto que Renan lamentou bastante sua transferência para o Santos, onde revelaria Rafael.

Barbirotto foi o substituto de Rodriguez, porém a sinergia do bom trabalho realizado anteriormente com Renan Ribeiro não foi a mesma. Consequência disso foi o pedido do arqueiro para que voltasse a trabalhar com William de Castro. Nesse período, o Atlético-MG até chegou a sondar o retorno de Oscar Rodriguez, mas a negociação não se concretizou.

Para agravar a situação alvinegra, Renan Ribeiro passou por um drama pessoal – perdeu a irmã vitimada pelo câncer, em 2011. A queda de rendimento foi gradativa e a paciência da torcida e da diretoria se esgotou no último clássico. Renan tomou 100 gols em 79 partidas, 19 para o maior rival.

Oposto a esse desagradável panorama vivido pelo Galo é o Cruzeiro. As excelentes atuações de Fábio refletem a regularidade e o maior tempo de trabalho que os preparadores de goleiro têm na Toca da Raposa. O preparador Robertinho atua desde 2010, quando substituiu Oscar Rodriguez. Anteriormente, Flavio Tênius postulava na comissão técnica e ele revelou Gomes e Jefferson, nos seus cerca de sete anos de passagens pelo cruzeiro, desde 1999. Atualmente, Rafael e Gabriel são as esperanças de renovação debaixo das traves celestes.

Está na boca do povo: “A base de um time campeão começa pelo gol”. Mais do que nunca está comprovada a necessidade de um bom profissional preparador de goleiros. Não é, Alexandre kallil?

Nomes de preparadores de goleiro que passaram pelos times mineiros

No Atlético-MG

Ailton Serafim *base 2004 a 2009
Jorge Azevedo 2005
Almir Domingues 2006 e 2007
Wanderley Filho 2007
Carlos Puppo 2008
Marcos Antônio Leme 2009
Eduardo Bahia 2009 e 2010
Oscar Rodriguez  2010
Barbirotto 2010 e 2011
William de Castro 08/2011 até hoje

No Cruzeiro:

Flávio Tenius - 1999 a 2004
Pedro Santilli – 2004
José Mário Prado - 2004
Rubens Ferreira Lima (Rubão) - 2004
Cassius Marcelo Hartman – 2005
Guilherme Gusmão – 2005
Flávio Tênius - 2006 a 2008
Oscar Rodriguez - 2008 a 2010
Robertinho 2010 até hoje

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