Já
enche o saco, há bastante tempo, a novela chatinha e que causa cansaço só de
ouvir falar: Montillo no Corinthians. Ano passado foi “Ronaldinho no Flamengo,
Ronaldinho no Grêmio, Ronaldinho no Palmeiras” até que o desfecho se deu pelo
motivo mais óbvio: grana, bufunfa, cascalho! No entanto, imagine o quanto um
jogador de futebol é vaidoso! É fácil perceber que muitos atletas já estão
se sentindo desvalorizados.
O
departamento de marketing da Raposa consulta patrocinadores antigos,
além das empresas que têm parceria atualmente, para viabilizar o salário e a
permanência do gringo na Toca II. "A intenção inicial é repassar tudo o
que conseguirmos ao Montillo, porque não será algo que passe pelo clube, que
coloque a marca na camisa ou em propriedades nossas. A empresa irá explorar
diretamente a imagem dele", explica Marcone Barbosa, diretor de marketing
cruzeirense, em entrevista ao site Máquina do Esporte.
Será
que vale a pena todo o esforço para segurar um atleta? Os jogadores externaram
sua indignação, por meio de carta aos jornalistas, referente ao atraso de
salário de alguns no elenco. Como fica a cabeça daquele zagueiro que leva
bolada, põe o pé em todas as divididas, passa raiva com atacantes habilidosos.
Como estaria também o pensamento daquele lateral que joga pertinho da torcida
na Arena do Jacaré e ouve xingamentos que até Deus duvida por causa da má
campanha do time? Enquanto o Cruzeiro faz das tripas o coração para pagar
apenas um jogador! É aí que está ativada a bomba relógio. Creio que qualquer
funcionário comum em uma empresa se indignaria e a situação se tornaria,
inevitavelmente, motivo de burburinhos na rádio peão.
No
entanto, com a troca de direção, coisa que o Cruzeiro não passava há muitos
anos, burocracias financeiras impedem que as contas sejam acertadas logo de
cara. Portanto, a casa ainda está desarrumada. Por isso, creio que não dá para assegurar que o clube está na pindaíba.
Mas,
voltando a falar do craque argentino, observemos os números do jogador. Walter Damián Montillo,
27 anos, estreou pelo Cruzeiro em agosto de 2010. De lá para cá, foram 28 gols
em 77 jogos e a conquista do Campeonato Mineiro do ano passado. Ele foi contratado
junto ao Universidad de Chile, com um contrato que vai até 2015. No seu antigo
clube atuou em 85 oportunidades, venceu 45 vezes, empatou 16 e perdeu 24, dados
contabilizados dos torneios: Apertura, Clausura, Libertadores e Sul-Americana,
desde 2008. Foi campeão do Apertura, em 2009.
Taticamente,
uma lacuna no meio campo celeste foi preenchida e agora pode ser criada
novamente, caso o clube não conte mais com os serviços do camisa 10. Vágner
Mancini arma a equipe em um 4-4-2, destrinchado em 4-3-1-2, com Montillo na
criação de jogadas. Perceba que esse esquema depende inteiramente de um
enganche como o argentino. Claro que é início de temporada e há várias peças a
estrear, mas se esse desenho se mantiver, o gringo tem que ficar em Belo
Horizonte. Levando em conta a supervalorização
do atleta, como sustentar e manter o grupo nas mãos, tendo em vista que jogador
de futebol é um bicho vaidoso? Vale a pena bancar o talentosíssimo meia?

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