O confronto entre Nadal e Djokovic
foi simplesmente sensacional. Praticando tênis de alto nível nas 5h53min que
permaneceram em quadra, eles chegaram a um nível fora dos padrões humanos. A
partida que deu o terceiro título do Australian Open ao sérvio foi decidida no
aspecto mental.
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| foto:William West/AFP |
Quem ligou a TV logo cedo, acompanhou
um Nadal raçudo e movido pela emoção, como sempre. Assim, ele venceu o primeiro
set, por 7 a 5. No entanto, o seu adversário não é o número 1 do mundo à toa.
Djokovic demonstrou tranquilidade inexplicável e venceu dois sets seguidos: 6/4
e incríveis 6/2. Aí veio a reação do guerreiro espanhol. Em set decidido
em um ferrenho tie break, Rafa venceu por 7 a 6.
A partida é digna de se transformar
em livro, e o auge desse conto foi o último e decisivo set. Tudo empatado, sem
quebras de serviço, até que Nadal conseguiu esse feito e brecou o sérvio,
fazendo 4 a 2. Seria a vitória do espanhol, que fisicamente demonstrava estar
voando e justificando o apelido de “animal”. Mas, Djokovic é Djokovic! Quando
tudo parecia estar definido, ele quebrou o serviço do adversário e voltou ao
jogo: 4 a 4. Monstruosamente, Djokovic não só voltou ao páreo, mas quebrou
novamente o serviço de Nadal e adquiriu a vantagem de sacar para vencer.
Engana-se quem pensa que foi tarefa fácil. O espanhol conseguiu emplacar
paralelas que beiravam a perfeição. Mesmo pesando a mão no saque, os dois
tenistas alienígenas trocaram bola insistentemente e em alto nível.
Ninguém estava ali para sair derrotado. Porém, cruelmente, um deles teria de se
contentar em ser o vice.
Eis que, em um saque forçado, e
devolução que por si só já parecia milagre, Djokovic conseguiu o champioship
point, subindo à rede e acelerando a bolinha verde à esquerda do espanhol, que
não teve mais forças para batalhar. Fim de papo. A mais longa partida da final
de um grand slam já tinha vencedor: Novak Djokovic. Eufórico e com a certeza de
que fez uma das melhores partidas da sua vida, rasgou a camisa e foi em direção
a sua fonte de inspiração e apoio: seu técnico Marian Vajda, o preparador
físico, e sua namorada Jelena Ristic. Contando com a presença ilustre do
campeoníssimo Rod Laver, que também já venceu o torneio três vezes, a Austrália
acabara de presenciar um desses raros momentos que vão além do esporte. Com isso, temos de exaltar a garra desses dois tênistas. Fica a comparação com Alien e Predador, pois esses caras também são dois monstros!
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